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Artur Avila e Étienne Ghys abrem Bienal da Matemática

A 8º Bienal de Matemática começou neste domingo (23) com o brilho de palestras do ganhador da Medalha Fields Artur Avila e do francês Étienne Ghys, um dos maiores nomes da divulgação da Matemática no mundo, no pontapé inicial do Biênio da Matemática 2017-2018. Artur apresentou complexos temas contemporâneos; Étienne, como sempre, fez a matemática parecer simples, ao explicar por que aplicativos de GPS podem enrolar ainda mais o trânsito das grandes cidades.

Na abertura, na Escola SESC de Ensino Médio (em Jacarepaguá), o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, afirmou que “a Bienal se mostrou um ponto de virada para alcançar o público universitário”. Ao lado da coordenadora da Bienal, Walcy Santos, da UFRJ, e do vice-presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), Paolo Piccione, o Biênio da Matemática tem o desafio de aproximar a sociedade da disciplina. “Estamos fazendo uma aposta atrevida: vamos receber dois grandes eventos internacionais (a Olimpíada Internacional de Matemática 2017 e o Congresso Internacional de Matemáticos 2018) que devem servir como catalisadores para mudar a ideia das pessoas sobre a Matemática”, disse Viana.

A missão de fazer a palestra inicial da Bienal foi do ganhador da Medalha Fields Artur Avila. Com uma demonstração simplificada de um dos seus temas de trabalho, o pesquisador extraordinário do IMPA expôs ao público um dos objetos clássicos de Sistemas Dinâmicos.

 Na apresentação “Bilhares em Polígonos regulares”, Artur Avila descreveu o comportamento caótico de partículas em uma superfície limitada por objetos clássicos da geometria, como quadrados e triângulos. “Considerei os aspectos mais elementares e tentei fazer conexões com a geometria para deixar menos abstrato”, disse Artur, segundo quem a apresentação mostrou o que de mais recente tem sido feito na Matemática contemporânea.

GPS é egoísta

Étienne Ghys, pesquisador especial do IMPA e um dos grandes nomes mundiais da divulgação da Matemática, trouxe uma didática mais simples ao palco para falar sobre um transtorno comum aos moradores de metrópoles. Na palestra “Engarrafamentos nas grandes cidades: o preço da anarquia”, o matemático francês mostrou que a discussão sobre mobilidade urbana precisa se racionalizar.

Segundo Étienne, o uso de aplicativos de georreferenciamento para buscar as melhores rotas nem sempre é bom para a cidade. “O papel desses programas é propor um caminho que seja melhor para você, e não o melhor para a comunidade. É uma estratégia egoísta matematicamente, mas não existe hoje um aplicativo com uma dinâmica voltada para a sociedade.”

O francês disse que modelos matemáticos demonstram que, muitas vezes, interditar uma rua pode ser melhor para o fluxo geral do trânsito do que deixar as pessoas escolherem livremente o caminho. “Às vezes, a construção de conexões adicionais pode piorar a situação global”, afirmou Étienne.

A Bienal vai até o dia 26, na Escola Sesc do Ensino Médio, em Jacarepaguá. Logo na sequência, começa o Festival da Matemática, onde o objetivo é aproimar a sociedade da disciplina por meio de jogos e oficinas muito divertidas para públicos de todas as idades e para a família. O Festival vai de 27 a 30 de abril na Escola Sesc do Ensino Médio, na Escola Eleva, em Botafogo, e na Nave do Conhecimento, no Engenhão.

Para mais informações sobre o Festival da Matemática e para reservar a sua vaga, entre no site http://festivaldamatematica.org.br/