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29 de abril de 2019, 11:36h

Beneficiária do Bolsa Família conquista medalha na OBMEP

Thalita conquistou bronze na OBMEP 2018 – Foto: Laís Mendes/Arquivo pessoal

Reprodução do G1

Reportagem de Victor Vidigal

Moradora do município de Laranjal do Jari, a 295 quilômetros de Macapá, a estudante Thalita Pinheiro, de 13 anos, é uma dos estudantes beneficiários do Programa Bolsa Família no Amapá que conquistaram medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática de Escolas Públicas (OBMEP) em 2018.

Entre 2011 e 2017, 34 alunos da rede pública de ensino no Amapá, que recebem o benefício, e possuem o mesmo perfil de Thalita também foram medalhistas na disputa.

A família da adolescente amapaense é beneficiária do programa federal há cerca de um ano. O pai da Thalita é desempregado, a mãe trabalha com serviços gerais, e ela também mora com uma irmã de 15 anos.

A estudante, que também mora distante da escola onde estuda, diz que o recurso federal foi fundamental para não deixar problemas financeiros afetarem no rendimento escolar.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), dentre as últimas oito edições da Obmep, 999 estudantes beneficiários do Programa Bolsa Família foram premiados com 1.288 medalhas. Os medalhistas também receberam 465 menções honrosas no período.

A adolescente, que participou da Obmep pela primeira vez em 2018, foi medalhista de bronze na 14ª edição do concurso, onde teve os conhecimentos desafiados com estudantes de todo o Brasil. Ela representou a Escola Municipal Raimunda Capiberibe e teve a quinta maior nota do Amapá, entre alunos do 6º e 7º ano do ensino fundamental.

“Foi no final do ano letivo de 2018 que a diretora da escola anunciou e fiquei muito feliz e surpresa. Já gostava de matemática antes da prova, mas não imaginava que conseguiria ganhar a medalha”, contou a estudante, que na época cursava o 6º ano.

A rotina de preparação para a disputa incluiu estudos em sala de aula na 1ª fase da prova. Na 2ª fase, a escola reuniu um grupo de ensino que intensificou os estudos ao longo da semana. Os cerca de 20 alunos que faziam parte do grupo tinham encontros diários, por duas horas, onde resolviam questões matemáticas.

Artur Ávila, o brasileiro que recebeu, em 2014, a Medalha Fields, considerada o “Nobel da matemática”, afirmou ao G1 que as olimpíadas do conhecimento não são a solução ideal para o problema educacional brasileiro, mas diz que elas são “um programa extremamente barato e com o qual você consegue passar ao lado dessas dificuldades que tem no ensino em geral”.

Segundo ele, um dos benefícios é acessar “alunos muitas vezes de comunidades carentes de lugares que você não esperaria, devido às dificuldades econômicas no Brasil”, e oferecer a eles um “primeiro contato positivo com o estudo e com a matemática”.

Além do reconhecimento de amigos, familiares e vizinhos, Thalita recebeu como prêmio pelo resultado a participação no PIC (Programa de Iniciação Científica) da Obemep. O curso tem duração de um ano, onde a estudante resolve questões de aritmética, geometria e raciocínio lógico virtualmente, além de fazer encontros presenciais mensais com integrantes da mesma região.

De olho no futuro

Para a mãe da estudante, Laís Mendes, de 37 anos, ver a filha seguir o caminho da educação é algo gratificante que a faz pensar em dias melhores para a menina e para a família.

Thalita, agora no 7º ano, está mais focada nos estudos da matemática, ajuda colegas de classe nos exercícios e já pensa em cursar faculdade matemática quando terminar o ensino médio, que segundo ela foi a área onde “se encontrou”.

Como os jovens foram encontrados

Ao G1, o MDS afirmou que chegou a esses 999 estudantes por meio de uma série de cruzamentos de informações. As bases de dados cruzadas foram a do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, conhecida como CadÚnico com a de medalhistas e menção honrosa da Obmep.

No Amapá, o G1 localizou a estudante através da coordenação local da Obmep. De acordo com o Impa, na primeira fase da olimpíada, da qual costumam participar mais de 18 milhões de estudantes, a inscrição é feita por escola e a participação é optativa, por isso não existe um banco de dados pessoais dos inscritos.

“A metodologia utilizada para cruzar os dados levou em consideração o nome, a data de nascimento, o nome da mãe e o CPF do estudante”, explicou o ministério.

Apesar de a maioria das medalhas ser de bronze, o levantamento mostra que 101 desses 999 estudantes conseguiram ganhar pelo menos três medalhas em edições diferentes da Obmep.

A distribuição dos jovens atinge todos os estados. A pedido do G1, o MDS listou o número de medalhas obtidas em cada estado. No ranking, o Amapá ficou em 11º lugar entre os que mais conquistaram medalhas no período. Na cabeça da lista está Minas Gerais, com 314 medalhas. O estado que menos premiou foi Santa Catarina (5).