Avifauna

Com cerca de 1.800 espécies, o Brasil atrai ornitólogos e admiradores de pássaros de todo o mundo; no Rio, há de 600 a 700 espécies

A localização do IMPA é singular: entre o Parque Nacional da Tijuca, com mata bem conservada e grande refúgio de espécies, e o Jardim Botânico. É um lugar idílico, com variadas espécies de plantas, flores e frutos.

Imagine a quantidade de aves que não se sente atraída por esses recursos todos? Os últimos levantamentos no Jardim Botânico apontam para cerca de 200 espécies, dentre as migratórias, residentes e aquelas que nunca pousam, mas passam pelo alto.

A maioria dessas espécies pode ser avistada do IMPA, que tornou-se um ponto chave para nidificações e é rota de muitos pássaros.

As aves são os animais que observamos com mais facilidade, pois têm hábitos diurnos, como nós, cantam e vocalizam habitualmente e voam. Podemos vê-las sem tocaias e sem técnicas especiais. Cada espécie representa um indicativo importante de saúde ambiental. Seja para a qualidade da área, quando avistamos e ouvimos espécies mais, quanto para a degradação, que atrai aves bem adaptadas ao convívio e utilização de meios urbanos. Despertam o interesse de leigos e cientistas, seja pela beleza, pela ecologia, pelos comportamentos, pelo canto ou até pelo sonho inerente de voarmos.

Algumas aves bem comuns podem ser avistadas sem nenhum esforço, como os bem-te-vis e os sabiás. Somam-se a eles o joão-de-barro, a lavadeira-mascarada, o suiriri-cavaleiro, o canário-da-terra-verdadeiro, coleirinhos, cambaxirras, diminutos piolhinhos, andorinhas, sanhaçus, tico-ticos, gaturamos, biquinhos-de-lacre, as coloridíssimas saíras, para citar apenas os passarinhos.

Quando prestamos atenção aos sons, destacam-se os periquitos e maritacas. A vocalização estridente e o hábito gregário são notáveis. Outro que denuncia sua posição com a voz é o gavião-carijó. Noite adentro, as vocalizações de corujas e bacuraus podem assustar os mais suscetíveis. E até os mais corajosos.

Ocos de árvore não são tão diferentes de frestas no telhado ou espaços na alvenaria na hora de construir o ninho. Muitas espécies utilizam as construções humanas para abrigo, sendo necessário cuidado para o manejo e manutenção. As maritacas, por exemplo, adoram um sótão. A maioria das assombrações pode ser uma ave ou um bicho, escondidos no forro…

Personagem famoso e belo dessas bandas, o tucano-de-bico-preto quase foi extinto no Rio. Sua reintrodução, realizada na década de 70 do século passado, mostrou-se extremamente bem sucedida. Hoje, podemos ver seu voo e ouvir sua vocalização recheada de ‘erres’ da zona Sul à Barra da Tijuca.

Quem olha para o céu azulado poderá ver em voo aves que nunca, ou quase nunca, pousam: fragatas cortam o céu da cidade toda, em direção ao mar. Urubus dividem o céu com belos carcarás. Em qualquer promontório pode estar um gavião ou um falcão, prontos para a caça.

Quando olhamos para cima em um ponto encoberto pelas árvores notamos, com paciência e olhos curiosos, um número de aves que, quanto mais vezes avistarmos, mais poderemos contar: a observação é um treino. Quanto mais olhamos e procuramos conhecer, mais conseguimos perceber, nomear e ouvir. Observar aves é um exercício prazeroso, um treino, um estudo alegre e um desafio sempre recompensado. Pica-paus, arapaçús sempre atrás dos macacos prego, garças elegantes, rolinhas das comuns e das selvagens, almas-de-gato, silenciosas e discretas, beija-flores ocupadíssimos. Um arbusto pode ser um mundo…

 

Texto: Gabriela Heliodoro
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Fotos: Luis Florit
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