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16 de agosto de 2017, 17:08h

Yves Meyer faz matemática como quem compõe sinfonia

 

Wolfgang Amadeus Mozart consagrou-se como gênio não apenas por sua prodigiosa habilidade musical desde a infância, mas pelas mais de 600 obras que deixou para a história. O francês Yves Meyer faz mais ou menos a mesma coisa, mas na Matemática. E, para a sorte do mundo das ciências, ele permanece entusiasmado em se reinventar para dar ainda mais contribuições nesse campo.

Na tarde desta quarta-feira (16), o evento “O trabalho de Yves Meyer, pioneiro das wavelets”, na sede do IMPA, destrinchou a carreira do matemático francês, agraciado em 2017 com o Prêmio Abel, um dos mais importantes da área. (Assista a palestra completa aqui)

As palestras de Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA, e dos pesquisadores Emanuel Carneiro e Luiz Velho abordaram diferentes fases da carreira de Meyer e suas extraordinárias contribuições para a Matemática.

Viana falou sobre a importância do Prêmio Abel e lembrou que o ganhador costuma ser convidado para fazer palestras no Congresso Internacional de Matemáticos (ICM, sigla em inglês). Ele não estará no evento no Rio de Janeiro em 2018 devido a problemas familiares.

Carneiro destacou o início da carreira de Meyer, comparando-o a Mozart, que enxergava música onde alguns não a viam. Com a teoria das wavelets, o francês viu ondas onde quase ninguém havia notado. Para o pesquisador do IMPA, Meyer contribuiu de forma inestimável para a matemática aplicada, principalmente por relacioná-la com outras disciplinas.

Para Luiz Velho, além da teoria de wavelets, aplicável a áreas variadas – como compressão de dados, redução de ruídos, imagens médicas, cinema digital e até a deconvolução das imagens do telescópio espacial Hubble – o francês destaca-se por sua generosidade. “Além de fazer importantes contribuições com outros colegas, Meyer promoveu tantos outros, criando bases para suas pesquisas, deixando-os na ‘cara do gol’ para lançar ideias inovadoras”, disse.

 

 Assista ao vídeo sobre o matemático feito pela Academia Norueguesa das Ciências e Letras:

Fonte: Prêmio Abel/Academia Norueguesa das Ciências e Letras

 

Carreira

Nascido na França em 1939, Yves Meyer foi criado em Tunísia, país na costa norte-africana. Doutorou-se em matemática em 1966, na Universidade de Estrasburgo (França). Desde então, foi professor de Matemática na Université Paris-Sud (1966-1980), École Polytechnique (1980-1986) e Université Paris-Dauphine (1986-1995). Em 1995, passou para a École Normale Supérieure Cachan, onde trabalhou no Centro de Matemática e suas Aplicações (CMLA). Aposentou-se formalmente em 2008, mas continua membro associado do centro de pesquisa.

Yves Meyer é membro da Academia Francesa de Ciências desde 1993. Em 1994, foi eleito membro honorário estrangeiro da Academia Americana de Artes e Ciências e tornou-se associado estrangeiro da Academia Nacional de Ciências dos EUA em 2014.

Em 2012, associou-se à Sociedade Americana de Matemática. Foi palestrante convidado no Congresso Internacional de Matemáticos (ICM) em 1970 (Nice), 1983 (Varsóvia) e 1990 (Kyoto). Ganhou os prêmios Salem (1970) e Gauss (2010), este concedido conjuntamente pela União Internacional de Matemática e pela Sociedade Alemã de Matemática, por avanços na área que tiveram impacto fora deste campo. É ganhador do Prêmio Abel 2017.