Navegar

8 de agosto de 2018, 17:48h

Veterano em ICMs tenta romper "fobia" de Matemática

 

Aos 77 anos, o professor iraniano Hossein Behforooz, que leciona desde 1987 na universidade Utica College, nos Estados Unidos, está pela nona vez em um Congresso Internacional de Matemáticos. Ao mesmo tempo que se entusiasmou com a presença de 576 alunos medalhistas da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP) na plateia do encontro, no Riocentro, está preocupado com o medo que a disciplina até hoje desperta em muitos estudantes.

“Matemática é para ser divertida, não é para assustar os alunos. Mas existe um tipo de fobia. As pessoas acham que Matemática é difícil, mas não é”, diz Behforooz, que se dedica à pesquisa nas áreas de  Teoria da Aproximação e Matemática Recreativa. 

Leia também: Medalhista Chern apresenta estudo no ICM
Geordie Williamson fala sobre a teoria da representação
Pesquisador destaca “liberdade de escolha” na Matemática

O fenômeno, segundo ele, não acontece apenas com a Matemática. “Nos Estados Unidos, onde o inglês é a língua-mãe, mais da metade dos estudantes do ensino médio, quando chega à universidade, tem que estudar inglês de novo, quase tem que voltar para o nono ano. Eles não aprendem; eles esquecem. Com a Matemática é a mesma coisa. Os alunos são bem ensinados, mas aprendem apenas para testes. Passam de ano, tomam um banho quente e esquecem”, brinca.

Com a experiência de 47 anos como professor, Behforooz diz que em várias partes do mundo há desinteresse dos alunos pelas ciências. “Há muitas universidades no Irã, mas o número de alunos de graduação em Matemática está diminuindo”, lamenta. O pesquisador, no entanto, não quer parecer pessimista.”Temos pessoal de alto nível suficiente, então vamos ter novos caminhos”, afirma, enquanto faz planos para o futuro. “Daqui a quatro anos, quero estar na Rússia”, diz, lembrando que a próxima edição do ICM será na cidade de São Petersburgo.