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21 de setembro de 2017, 16:19h

Premiadas com o 'Para Mulheres na Ciência' gravam no IMPA

“Fazer Ciência é amor e dedicação”. A frase é da matemática Diana Sasaki Nobrega e foi proferida em sala de aula na manhã desta quinta-feira (21), mas não diante de sua turma de alunos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ela estava, na verdade, no IMPA, onde passou parte do dia com a equipe que filmou e fotografou as sete vencedoras do prêmio Para Mulheres na Ciência.

Ao longo desta quinta-feira, Diana e as demais cientistas premiadas conheceram várias dependências do IMPA, onde gravaram vídeos de cerca de 1 minuto de duração para explicar, de forma resumida, a área de pesquisa em que atuam. Marcelo Viana, diretor-geral da instituição, é um dos 15 jurados do prêmio.

Promovido pela L’Oréal em parceria com a Unesco e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a iniciativa é realizada no Brasil desde 2006 – mas já existe em outros países há 19 anos – e tem como motivação favorecer o equilíbrio de gêneros no meio científico.

Doutora e mestre pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRj), onde também concluiu o bacharelado em matemática, Diana, 30 anos, usou o tempo para apresentar a Teoria das 4 Cores, que motivou os estudos sobre teoria dos grafos, área da matemática combinatória. Segundo ela, trata de problemas de conflito na vida real, cuja solução, geralmente, é encontrada por meio de cálculos realizados em computador, em decorrência de grande quantidade de variáveis envolvidas.

“Problemas de coloração em grafos são o foco tema da minha pesquisa”, disse ela, citando como exemplo a questão que se coloca quando uma determinada universidade precisa elaborar, da forma mais econômica possível, ou seja, evitando turnos desnecessários, sua lista de cursos considerando um número finito de salas e de professores.

Professora do Departamento de Matemática Aplicada da Uerj desde 2015, Diana vai usar o prêmio de R$ 50 mil para equipar um minilaboratório na instituição, que passa por graves problemas financeiros. Segundo ela, com isso, será mais prazeroso dar prosseguimento às pesquisas.

Na edição nacional, anualmente, são selecionadas sete jovens pesquisadoras de diversas áreas de atuação, que recebem a bolsa-auxílio para ser investida nos estudos que realizam. Até o momento, 75 brasileiras foram contempladas.

Além de Diana, participaram da gravação no IMPA a física Jenaína Soares, da Universidade Federal de Lavras – que estuda a estrutura de nanomateriais bidimensionais -, a farmacêutica Rafaela Ferreira, da Universidade Federal de Minas Gerais, que pesquisa possíveis maneiras de tratar a Doença de Chagas, e quatro pesquisadoras da área de Ciências da Vida: a biomédica Gabriela Nestal, que busca maneiras de tornar o tratamento contra o câncer mais eficaz; a química Fernanda Tonelli, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que trabalha com peixes transgênicos, com a ideia de transformá-los em biofábricas; a bióloga Marília Nunes, da Universidade Federal Rural da Amazônia, que monitora a variabilidade genética de espécies de peixe; e a fisioterapeuta e professora da Universidade Federal do Pampa Pâmela Carpes, que pesquisa, em modelos animais, como a falta de cuidados parentais pode alterar a saúde dos filhotes.