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4 de julho de 2018, 10:52h

Se Bernard Shaw ensinasse matemática, ela seria popular

Reprodução da coluna de Marcelo Viana na Folha de S. Paulo

O escritor e ativista irlandês Bernard Shaw (1856–1950), Nobel de Literatura em 1925, tinha interesse pela ciência invulgar entre seus colegas. Seguiu com atenção o trabalho de Pavlov sobre o comportamento de cães e o experimento de Michelson-Morley sobre a velocidade da luz. Visitava laboratórios, onde gostava de “espiar bactérias no microscópio”.

Satírico, famoso por suas frases polêmicas (“Quem sabe, faz. Quem não sabe, ensina.”), Shaw via na ciência um meio para criticar a sociedade de seu tempo e escreveu sobre muitos temas de pesquisa.

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Mas, ao contrário do que pensava, sua aptidão científica era medíocre, seu gosto, duvidoso, e quase todas as suas “contribuições” erradas ou disparatadas. 

Desprezava a medicina, tinha ideias estranhas sobre higiene e era contra a vacinação. Não aceitava que o Sol está queimando e achava que a experimentação em laboratório é pura armação.

Só uma ciência teve a honra de que Shaw a respeitasse e não tentasse enriquecê-la: a matemática. 

Reconhecia sua ignorância, que atribuía à educação: “Não me foi dita uma palavra sobre o significado e a utilidade da matemática. Só mandaram construir triângulos equiláteros intersectando dois círculos, e somar com a, b e x, em lugar de metros ou litros, deixando-me tão ignorante que eu achava que a e b era ovos e queijo, e x era coisa nenhuma”.

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