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5 de setembro de 2017, 13:28h

Raciocínio matemático usa pouco área ligada à linguagem

 

 

A matemática se baseia em uma habilidade recente e especificamente humana de linguagem ou é uma construção cultural alicerçada em representações evolutivas antigas do espaço, do tempo e do número?

Para jogar luz à pergunta, pesquisadores do Cognitive Neuroimaging Lab, da França, realizaram um estudo, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, no qual analisaram como, diante de conceitos matemáticos de alto nível, reage o cérebro. 

A investigação foi realizada em dois grupos: 15 matemáticos profissionais e 15 profissionais de igual nível acadêmico, mas de outras áreas do conhecimento. Cada participante passava por uma ressonância magnética do cérebro enquanto refletia sobre uma série de declarações – 72 de matemática avançada, sobre álgebra, análise, geometria e topologia; e 18 relacionadas a conhecimentos gerais – e tinha quatro segundos para responder se cada afirmação era falsa, verdade ou sem sentido.

Quando matemáticos refletiam sobre questões matemáticas avançadas, observou-se a ativação de regiões pré-frontais bilaterais intraparietais, inferiores temporais e dorsais. Essas áreas, porém, permaneciam em silêncio diante de declarações não matemáticas.

“As áreas de linguagem foram ativadas apenas transitoriamente durante a apresentação de declarações auditivas, sejam elas matemáticas ou não matemáticas. Em vez disso, as ativações que observamos durante a reflexão matemática ocorreram em áreas anteriormente associadas à codificação de números em seres humanos e outros animais”, diz um trecho do estudo.

Os pesquisadores alertam que os resultados encontrados não devem ser levados a implicar que os circuitos cerebrais ativados durante a reflexão matemática são específicas para essa área do conhecimento. Segundo o estudo, elas coincidem com regiões anteriormente associadas a um sistema de “demanda múltipla” ativo em muitas tarefas de resolução de problemas e dissociável de áreas relacionadas ao idioma.

“Nossos resultados sugerem que o pensamento matemático de alto nível faz uso mínimo de áreas de linguagem e, em vez disso, recruta circuitos inicialmente envolvidos em espaço e número. Este resultado pode explicar por que o conhecimento do número e do espaço, durante a primeira infância, prevê a realização matemática”, concluíram os pesquisadores.