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7 de agosto de 2018, 20:31h

Problemas do planeta desafiam pesquisadores

Em um planeta com mais de sete bilhões de pessoas, três bilhões de subnutridos, em que um em cada oito habitantes vive em megalópoles, como os matemáticos podem dar alguma contribuição? O tema foi debatido por seis pesquisadores de diferentes partes do mundo na noite desta terça-feira no Congresso Internacional de Matemáticos (ICM 2018). 

Para a professora Maria Esteban, do Centro de Matemática da Universidade Paris-Dauphine, pesquisadores em Matemática têm grande potencial para contribuir no avanço de iniciativas das chamadas cidades inteligentes, idealizadas para melhorar o bem-estar da população de um modo geral. “Temos oportunidades de atuação em muitas áreas e uma delas são as cidades inteligentes. Por exemplo, para a pesquisa não apenas do uso alternativo de energia, mas também para reduzir o consumo de eletricidade em geral”, afirmou.

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A geração e o consumo de energia também foram mencionados pela a professora Claudia Sagastizábal, da Universidade de Campinas (Unicamp). “Há alguns anos, pesquisamos o aumento no preço da conta de luz em São Paulo e percebemos que havia má interpretação dos algoritmos”, contou a pesquisadora.

Diretor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Leite da Silva Dias disse que uma das contribuições mais relevantes da Matemática nas últimas décadas aconteceu no campo das previsões do tempo. “Houve um salto de qualidade nos anos 2000 em função de avanços da Matemática nos anos 1980. Demorou 20 anos para que os avanços chegassem à previsão do tempo. Nos anos 1970, parecia um sonho pensar que era possível, como acontece hoje, fazer previsões confiáveis para 10 ou 20 dias”, afirmou.

 

Amit Apte, matemático do Centro para Ciências Teóricas da Índia, também mencionou a importância da Matemática aplicada à captação de fenômenos como as monções  ou El Niño e La Niña. Professor da recém criada da Universidade Internacional de Ciência e Tecnologia de Botsuana, Edward Lungu disse que, nos últimos anos, profissionais ligados à Matemática têm se aproximados dos demais cientistas para enfrentar problemas como a rápida propagação de doenças em humanos e animais. “Também há um grande esforço na área da biotecnologia, para produzir comida mais rapidamente e com mais nutrientes”, disse.

O moderador do debate foi o professor Hans Engler, da Universidade de Georgetown. “Os desafios do planeta estão acima das capacidades dos países, dos interesses nacionais e envolvem aspectos sociais e políticos”, lembrou.