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3 de dezembro de 2018, 13:46h

'Precisamos de outras reformas em paralelo', diz Aloisio Araujo

Aloisio Araujo. Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

Reprodução da entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo

A convite do futuro ministro da Economia Paulo Guedes, o economista Aloisio Araújo, da Fundação Getulio Vargas (FGV), fez uma apresentação, há duas semanas, para a equipe de transição e defendeu reformas microeconômicas. Aos 70 anos, já foi professor visitante na Universidade de Chicago, meca do pensamento econômico liberal onde Guedes e parte de seu time fizeram doutorado. Para ele, o novo governo deve aproveitar o capital político para, além da reforma da Previdência, ajustar as regras de falência e o sistema tributário.

A conjuntura atual é favorável às reformas econômicas?
Acho que sim. Agora vem um governo com força, eleito. Vem com muito espaço para fazer reformas. É a hora de aproveitar e fazer reformas estruturais. Gosto de fazer referência ao México, que abriu muito a economia. Tem um livro recente, do Santiago Levy (vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que trabalhou no governo mexicano de 1994 a 2000). O México fez várias coisas e o efeito não foi tão grande quanto o esperado. Fez gerência macroeconômica, com a inflação sob controle, abriu a economia com o Nafta, a taxa de investimento cresceu, tem mais capital humano do que antes, mas o crescimento foi pequeno comparado ao do Brasil.

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Qual a lição do México?

O professor Timothy Kehoe, da Universidade de Minnesota, escreveu um artigo, há mais de dez anos, comparando o Chile com o México. O Chile fez algumas reformas institucionais. Focou na lei de falências, por causa do crédito, pois as firmas podem crescer. O Levy fala algo parecido. O México tem má alocação de trabalho porque boa parte da força de trabalhadores e do capital fica em firmas pouco produtivas. No caso brasileiro, foi feito estudo parecido.

O México falhou nas reformas microeconômicas?

Falhou. O Brasil está até mais atrasado. Minha visão é que não se pode colocar toda a força política de início de governo só em alguns desses setores. A abertura econômica é importante, a privatização também, mas a ideia é investir também na reforma de certas leis que estão para trás. O sistema tributário do Brasil é péssimo.

Sem a reforma tributária, empresas pouco produtivas vão sobreviver?

Esse é o diagnóstico para o México. Não se está liquidando essas firmas por causa da lei de falências. Há uma interação entre lei de falências e reforma tributária. Há firmas pequenas que ficam sem pagar impostos. Aí é uma confusão, porque o Fisco tem prioridade nas falências. A confusão tributária ajuda essas firmas a persistirem.

O exemplo do México alerta para o fato de que a abertura comercial, sozinha, não resolve?

É para ter em mente que precisamos de outras reformas em paralelo. A abertura deve ser lenta, pausada. Fazendo as outras reformas dá tempo para as firmas ficarem mais produtivas. No Chile, foi feita uma abertura rápida e houve queda do emprego, mas lá havia um governo forte, que durou bastante (a ditadura militar liderada por Augusto Pinochet) e, eventualmente, a economia se recuperou e ficou muito eficiente.

Para ler o texto na íntegra acesse o site do jornal 

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