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26 de janeiro de 2018, 09:25h

Folha: Poincaré e Oscar 2º, o rei que amava a matemática

O 60º aniversário do rei Oscar 2º da Suécia e Noruega foi em 21 de janeiro de 1889, mas os preparativos começaram muito antes. Oscar 2º (1929-1907) não era um monarca comum: estudara matemática na faculdade e tornou-se protetor dessa ciência, chegando a patrocinar a criação de uma revista científica, a “Acta Mathematica”, que até hoje é uma das mais prestigiosas do mundo.

Entre os seus conselheiros estava o matemático Gösta Mittag-Leffler (1846-1927), elegante, culto, bon-vivant, que se casou com uma das herdeiras mais ricas da Suécia e gastou alegremente o dinheiro do sogro. Portanto, que o rei tenha decidido assinalar o aniversário por meio de um prêmio matemático não chega a ser surpresa. Embora seja inusitado, infelizmente.

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A premiação, uma medalha de ouro e 2.500 coroas suecas (cerca de 4 meses de salário de um professor universitário), iria para a melhor solução de uma questão de pesquisa em análise matemática. Além disso, o trabalho seria publicado na “Acta Mathematica”.

Mittag-Leffler ficou encarregado de presidir o júri e não perdeu tempo para transformar a situação em uma oportunidade de autopromoção.

Inicialmente, o júri seria formado por cinco matemáticos: um sueco (Mittag-Leffler), um francês ou belga, um alemão ou austríaco, um inglês ou americano e um russo ou italiano. Essa distribuição diz muito sobre a geopolítica da matemática na época.

Mas as dificuldades de comunicação –distâncias, idiomas, ciúmes– tornaram o plano inviável, e Mittag-Leffler teve que se contentar com um júri menor: além dele, estavam o francês Charles Hermite (1822-1901) e o alemão Karl Weierstrass (1815-1897), dois dos maiores matemáticos do século 19.

A competição foi anunciada na “Acta Mathematica” em 1885, e as dificuldades começaram imediatamente. O alemão Leopold Kronecker (1823-1891), adversário de Weierstrass, ofendido por ter sido preterido, criou todo tipo de controvérsias.

Mittag-Leffler tentou acalmá-lo, explicando que Weierstrass tinha sido escolhido por ser mais velho. Não sabemos se ele deu a mesma explicação a Weierstrass…

O regulamento dizia que cada trabalho apresentado deveria estar identificado apenas por meio de uma frase em latim, sendo acompanhado por um envelope fechado contendo a frase e o nome do autor. Claro que, como os trabalhos eram manuscritos, o anonimato era relativo. O júri reconheceu imediatamente o trabalho do francês Henri Poincaré: além de ter um estilo inconfundível, Poincaré não leu o regulamento direito e identificou o trabalho com o próprio nome!

Bons matemáticos podem ser pessoas distraídas…

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