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O que faz um Matemático?


Pesquisador Marcelo Viana faz palestra em Niterói


De forma lúdica, usando um simples jogo de dominó, o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, mostrou ao auditório lotado de educadores, pesquisadores, pais e alunos reunidos no último sábado, dia 11, para uma palestra no Colégio La Salle Abel, em Niterói, o que ele queria dizer com a frase proferida minutos antes: “Fazer Matemática deveria sempre significar encontrar padrões e construir explicações bonitas e com significado”.

A declaração, na verdade de autoria do americano Paul Lockhart – “ele me plagiou por antecipação”, brincou Marcelo – foi citada pelo diretor do IMPA como resposta à pergunta que ele mesmo lançou à plateia: “O que faz um matemático?”.

Para revelar a questão, Marcelo chamou ao palco seis pares de alunos, dando, para cada par, um dominó, e pediu que eles fechassem a sequência seguindo a lógica do jogo. Porém, o que os estudantes não sabiam é que nem todos estavam com as peças completas. Era, na verdade, uma pegadinha, pois quem tinha número ímpar de pedras jamais conseguiria concluir a brincadeira.

Marcelo fez, então, uma ligação entre o dominó e o famoso problema das Pontes de Königsberg, decifrado pelo matemático suíço Leonhard Euler (1707-1783), e que deu origem à Teoria dos Grafos. De acordo com o teorema, um grafo possui seu circuito fechado passando exatamente por cada uma das arestas se, e somente se, todos os seus vértices forem pares. “O dominó funciona aqui de forma parecida”, explicou Marcelo, acrescentando que esse modelo movimenta hoje indústrias bilionárias, como a de logística.

Presente ao evento, organizado em parceria com a Associação Educacional Miraflores, o Colégio Pedro II – Campus Niterói, o Fórum Cultural CELART e o Instituto de Matemática e Estatística da UFF (IME-UFF), o calouro de Matemática e medalhista de bronze na OBMEP nos anos de 2011 e 2013, Raul Carvalho, 18 anos, disse que a palestra ajudou a “mostrar uma Matemática com utilidade prática e com outras facetas raramente apresentadas no ensino médio.”

Segundo Raul, é cada vez mais importante expor a matéria como algo dinâmico e versátil, que “não serve só para resolver questões de prova, mas também em economia, transportes e até na medicina”.