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13 de março de 2019, 09:54h

'Nenhuma lei científica leva o nome do descobridor'

Pitágoras escrevendo em livro / Fonte: Wikimedia Commons

Reprodução da coluna de Marcelo Viana, na Folha de S.Paulo

Algum tempo atrás escrevi que não é de Pitágoras o teorema que leva o seu nome. Isso causou desconforto, e leitores me acusaram de “revisionismo histórico” e “destruição de reputação”. Exageros à parte, acho ótimo que a matemática desperte paixões normalmente reservadas a arbitragens de futebol ou novelas.

No entanto, eu só contei uma “novidade” conhecida dos historiadores há mais de um século a partir de achados arqueológicos na Babilônia e que não diminui em nada o papel dos pitagóricos no desenvolvimento do pensamento ocidental. 

Além disso, são muitos os avanços científicos atribuídos erroneamente. Citarei alguns casos em que o erro é fortuito e não resultado de má-fé ou viés.

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Já dei aqui outro exemplo: o teorema de Stokes do cálculo vetorial —descoberto pelo físico Lord Kelvin, apresentado ao colega George Stokes. Anos depois, Stokes incluiu a questão numa prova na Universidade de Cambridge e acabou levando a fama, dando o nome ao teorema. Não há registro de que Kelvin, alçado à grande nobreza do reino, tenha se sentido prejudicado.

Outro exemplo, menos científico. Após um teste fracassado com equipamento de sua autoria, o engenheiro aeroespacial Edward Murphy colocou a culpa no assistente. “Se tem um jeito de fazer dar errado, esse cara consegue.” A frase antipática foi convertida no disparate “tudo que pode dar errado dará”, a famosa “lei de Murphy” que o próprio detestava. Mas não precisamos ter pena: será que a frase original o teria feito tão famoso?

Existe até uma “teoria” sobre o assunto. Em 1997, o matemático russo Vladimir Arnold, grande gozador, proclamou: “Princípio de Arnold: se um conceito tem o nome de alguém, essa pessoa não é a descobridora”. Claro que, segundo Arnold, esse princípio fora descoberto por outra pessoa, no caso o físico Michael Berry. Portanto: “Princípio de Berry: o princípio de Arnold pode ser aplicado a si mesmo”.

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