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4 de agosto de 2018, 15:20h

No ICM, editoras internacionais buscam leitores e autores

As principais editoras acadêmicas internacionais trouxeram seus stands para o Congresso Internacional de Matemática. Os participantes que perguntaram sobre o preço de algum livro à equipe das lojinhas podem ter, sem saber, conversado com um editor em busca de novos autores.

“Buscamos clientes que escrevem e clientes que leem”, disse David Tranah, diretor editorial de ciências matemáticas e tecnologia da informação da Cambridge University Press. “Neste congresso sempre há possíveis autores que já conhecemos e que ainda não conhecemos”.

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Desde o início do congresso, o stand da editora tem feito promoções curiosas. Num dia, os participantes giravam uma roleta para ganhar brindes. Dia sim, dia não, eles sorteiam garrafas de uísque para quem preencheu um cartão com seus dados de contato. Na quinta-feira (2), eles ofereceram espumante para anunciar sua parceria com a Sociedade Canadense de Matemática.

A poucos metros dali, no mesmo corredor, a Oxford University Press sorteia todo dia um cartão preenchido pelos participantes com maneiras de completar US$ 1 com 50 moedas de dólar existentes. Caso a resposta faça sentido, o sorteado pode escolher o livro que quiser nas prateleiras e levar para casa. (Em quatro dias de sorteios, duas respostas erradas foram encontradas. Dois ganhadores ainda não foram buscar seu prêmio.)

Um dos sorteadores das respostas é Dan Taber, editor avaliador de Matemática, Estatística e Computação da editora. Segundo ele, até agora apenas três possíveis autores vieram conversar sobre a publicação de livros. A concorrência com Cambridge é forte, diz Taber. Embora a editora de Oxford seja maior, Cambridge tem sete editores para a área da matemática, o que lhes permite abranger assuntos mais especializados. Por outro lado, Oxford tem uma seleção razoável de livros de divulgação matemática, escritos por especialistas para serem lidos por não-especialistas.

A Springer foi a única editora que colocou um cartaz explicitamente convidando os participantes da ICM a conversarem com um editor caso tenham ofertas de livros. Diariamente, o stand leva um dos seus autores para conversar com seus fãs. Na sexta (3), eles levaram Andreas Hinz, co-autor do livro “The Tower of Hanoi, Myths and Maths”. Um dos fãs presentes foi Jinwoo Seo, um dos mais jovens selecionados para apresentar trabalhos no ICM. Na segunda (6), o encontro será com Guillermo P. Curbera, co-autor do livro “Giovanni Battista Guccia – Pioneer of International Cooperation in Mathematics”.

Robinson Santos, editor de Matemática da Springer, diz que a maior parte dos brasileiros que procuram a editora tem interesse em publicar papers em suas revistas acadêmicas. O problema: as regras da Capes na prática acabam excluindo boa parte dos periódicos internacionais, por mais prestígio que tenham. Para que um periódico internacional conste da lista Qualis, é preciso que um autor nacional tenha publicado nele dois anos e meio antes. Como o que conta pontos para a Capes é publicar em periódicos na lista Qualis, acaba-se criando um paradoxo de ovo e galinha. “São journals de alto impacto, mas baixa pontuação”, lamenta Santos.

Isso não acontece com pelo menos um dos periódicos de Cambridge, o “Ergodic Theory and Dynamic Systems”. “Parece que gostam bastante de teoria ergódica no Brasil, porque sempre há nomes em português no índice”, diz Tranah. Um dos conselheiros editoriais é o professor Marcelo Viana, diretor geral do IMPA.