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2 de agosto de 2018, 20:54h

Mulheres debatem presença na Matemática e nas ciências

 

A participação das mulheres na Matemática e em outras ciências vem crescendo aos poucos nas últimas décadas, mas a diferença de oportunidades em comparação com os homens ainda é muito grande. Uma das provas dessa lacuna é o fato de que, de oito prêmios anunciados no Congresso Internacional de Matemáticos (ICM 2018), nenhuma mulher estava entre as vencedoras. Entre pouco mais de 200 oradores do encontro, que vai até o dia 9, somente 15% são do sexo feminino. Apesar de baixa, a proporção vem crescendo a cada edição do ICM. A desigualdade de gênero foi debatida em mesa redonda que reuniu homens e mulheres, na noite desta quinta-feira, 2.

Presidente do Comitê de Mulheres em Matemática (CWM), da União de Matemática Internacional, a francesa Marie-Françoise Roy, citou avanços, como a realização do primeiro Encontro Mundial para Mulheres em Matemática, na terça-feira, 31. “Tivemos a participação de 350 mulheres de mais de 60 países. O foco foi especialmente a América Latina, já que o ICM acontece no Brasil’, afirmou a matemática.

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Marie-Françoise pediu para matemáticas e cientistas responderem a uma pesquisa que pretende atingir a meta de 45 mil entrevistadas de todo o mundo, com o objetivo de medir as diferenças entre homens e mulheres nas ciências segundo regiões, países e áreas de atuação.

June Barrow Green, do Reino Unido, fez um histórico da presença de mulheres na Matemática, desde o século 18, enfrentando uma série de obstáculos e discriminação. “Havia homens que rejeitavam e outros que nem sequer acreditavam na existência de mulheres matemáticas”, afirmou a pesquisadora, que mostrou números da maior participação de mulheres entre profissionais da Matemática na Europa Ocidental, enquanto os menores índices estão nos países em desenvolvimento.

A física argentina Silvina Ponce-Dawson apresentou as ações da Conferência Internacional de Mulheres em Física, que acontece a cada três anos. O abismo entre homens e mulheres é o mesmo que existe na Matemática, segundo Silvina. Pesquisas realizadas com mulheres físicas citadas pela pesquisadora revelaram que elas acreditam ter avançado na carreira mais lentamente do que os homens. As entrevistadas apontaram a dificuldade de conciliar maternidade e carreira e as atitudes discriminatórias com maiores barreiras na profissão que escolheram. “Mesmo assim, a grande maioria afirma que não se arrepende de ter escolhido a física”, disse Silvina.