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2 de agosto de 2018, 17:22h

'Muito da ciência é você acreditar que pode fazer'

A realização do Congresso Internacional de Matemáticos (ICM 2018) no Brasil é um estímulo para alunos, professores e pesquisadores locais confiarem na própria produção e na capacidade de o país continuar a avançar na área, avalia o gerente de atividades científicas do IMPA, Jorge Vitório Pereira. Nesta quinta-feira, o pesquisador coordenou uma das várias rodadas de palestras do congresso, pela primeira vez realizado no Hemisfério Sul.

“Muito da ciência é você acreditar que pode fazer. Promover a interação de matemáticos brasileiros com matemáticos de todo o mundo tem um impacto muito importante. Existem pesquisadores brasileiros que estão na elite da Matemática mundial”, diz Pereira, que se dedica às áreas de geometria complexa e folheações holomorfas.

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Ao mencionar a relevância destes dias de convivência entre matemáticos de várias partes do mundo e diferentes tipos de áreas de interesse, o pesquisador fez um paralelo com a literatura e citou o escritor americano Philip Roth, que morreu em maio deste ano, autor de romances como “A marca humana”, “Pastoral americana” e “O Complexo de Portnoy”. “Uma coisa é você saber que Philip Roth existe. Outra coisa é sentar e bater um papo com ele. Quebra o bloqueio. Tem um efeito psicológico muito forte”, comparou.

Entre as palestras coordenadas por Pereira estava a do matemático francês Sébastien Boucksom, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS na sigla em francês), uma das mais importantes instituições de pesquisa científica do mundo. O professor falou sobre a relação entre aspectos algébricos e métricos de variedades de Fano. Fez para a plateia um panorama do que tem sido pesquisado na área e de sua contribuição para esses estudos.