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24 de agosto de 2017, 15:47h

Modelo matemático mostra como notícias falsas viralizam

“Extraterrestres lotam quiosque da praia de Copacabana.” O que faz com que uma notícia assim, por mais estapafúrdia que seja, alcance uma popularidade surpreendente? Excesso de ingenuidade? Não. Na verdade, excesso de informação, revela um trabalho publicado na “Nature Human Behavior”, no qual um modelo matemático é usado para  mostrar como as notícias se espalham nas redes sociais.

Segundo o texto, praticamente qualquer notícia falsa pode se tonar viral e alcançar até milhões de pessoas, mesmo em um cenário onde todos querem compartilhar histórias verídicas e são capazes de avaliar se elas são verossímeis ou não.

“Se você mora em um mundo onde é bombardeado com lixo, ainda que tenha discernimento, você só está vendo uma parte do que está lá fora. Então, você ainda pode compartilhar desinformação”, explica, em entrevista à Scientific American, o cientista da computação Filippo Menczer, da Indiana University Bloomington, um dos coautores do modelo.

Menczer explica que três fatores podem explicar a incapacidade de uma rede social fazer a distinção entre o meme – termo usado para link, vídeo, frase ou qualquer outra unidade de informação on-line – verdadeiro e o falso: a enorme quantidade de informação em circulação; a quantidade limitada de tempo que as pessoas gastam olhando os seus feeds de notícias e decidindo que histórias vão compartilhar; e a estrutura subjacente das redes sociais, criada pela interação entre os usuários, por interesse ou relações afetivas.

Segundo o texto, os modelos matemáticos usados para analisar como os memes viralizam nas redes sociais são do tipo agent-based, ou seja, necessitam da participação ativa de agentes (indivíduos). Originariamente, eles foram usados em simulações que estudam a propagação de doenças em uma determinada comunidade.

Para compreender como isso se dá, basta imaginar que cada agente é um ponto vinculado a outros (amigos ou seguidores), por meio de linhas. Se um o agente A é “infectado” por um vírus da gripe ou notícia falta, pode transmiti-lo apertando as mãos ou compartilhando o meme com eles, respectivamente. E os demais passariam para outros, sucessivamente.

Os modelos matemáticos levam em conta esse cenário imaginando que cada pessoa tem uma tela na qual vê os memes recebidos. É atribuído, então, um valor à probabilidade de que uma determinada pessoa compartilhe um novo meme produzido por ela. E também faz isso para todos os possíveis novos memes vindos de outros usuários. Como novos memes aumentam a quantidade total de informação na rede, é calculada a carga de informação experimentada pelas pessoas que visualizam suas telas.

No estudo, descobriu-se ainda o que acontece para aumentar o “contágio” de determinados memes em detrimento de outros. Eles descobriram que se a carga de informações for baixa, e o período de atenção, alto, os memes mais atrativos se destacam. Mas a análise do período de atenção e a carga de informações no Twitter e Tumblr indicam que, no mundo real, a grande quantidade de informação geralmente prevalece. Com isso, segundo Menczer, é possível supor que as pessoas sabem a diferença entre o falso e o verdadeiro, mas, ainda assim, o falso viraliza por causa do excesso de informação.