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1 de agosto de 2018, 17:39h

Premiados no ICM relembram sua vida com os números

Alessio Figalli já resolveu um problema matemático à uma da manhã, voltando de uma cerveja com os amigos. Peter Scholze venceu sua primeira olimpíada de Matemática na infância e sempre acha que a maré de sorte vai acabar. Para Constantin Dakalakis, a diferença entre ganhar um prêmio e resolver um problema matemático é que a vitória no prêmio não veio depois de meses e meses de frustrações com tentativa e erro.

Os ganhadores dos principais prêmios de Matemática de 2018 conversaram com a imprensa internacional no início da tarde desta quarta-feira (1º), após a cerimônia de abertura do Congresso Internacional de Matemáticos (IMC), ao lado dos veteranos David Donoho, que venceu o prêmio Gauss, e Masaki Kashiwara, ganhador da medalha Chern.

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Para os ganhadores, as pesquisas que os colocaram no topo mundial do conhecimento matemático não são um ponto de chegada.

“Os matemáticos evoluem com a sociedade”, disse Dakalakis. “Quanto mais avançamos, mais vêm novos desafios.”

Segundo ele, estamos numa espécie de era de ouro da Matemática. Sua pesquisa é um bom exemplo disso: com o poder de cálculo possibilitado pela informática, ele conseguiu resolver em menos de um ano um problema de seis décadas. Hoje, um dos seus interesses é a inteligência artificial.

David Donoho, ganhador da medalha Gauss de Matemática aplicada, disse que ficou feliz por uns cinco minutos quando resolveu na juventude o problema que lhe trouxe notoriedade. Logo em seguida, passou a pensar nos novos problemas abertos por essa descoberta.

O que realmente orgulhou Donoho foi perceber que o problema resolvido por ele tinha aplicações para melhorar a precisão da ressonância magnética, anos depois da resolução. “Sozinho, eu não teria como fazer as coisas que fizeram a partir do meu trabalho”, disse.