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16 de agosto de 2017, 15:04h

Marcus Reaiche põe em prática as descobertas de seu doutorado

Há mais relações entre a Economia e a Matemática do que sonha nossa vã filosofia. Parafrasear William Shakespeare não é um absurdo quando falamos da tese de doutorado de Marcus de Mendes Caldas Raymundo Reaiche — “Some Issues on Stochastic programming problems” (“Algumas questões em problemas de otimização estocástica”, em português).

Economista formado na UFRJ e mestre em matemática aplicada pelo IMPA, o doutorando – funcionário do BNDES – encontrou na área de Pesquisa Operacional a chave para resolver questões mais profundas no trabalho.

Orientado por Alfredo Iusem e coorientado por Alexander Chapiro, do Instituto de Tecnologia da Georgia (Estados Unidos), Reaiche pesquisou problemas de otimização estocástica avessos ao risco. “São problemas envolvendo incertezas e tipicamente difíceis de serem solucionados da forma em que são postos. Normalmente se usam aproximações para resolvê-los”, afirma.

E o que isso tem a ver com um banco? Muito mais do que se imagina. Marcus Reaiche explica que os modelos de otimização estocásticas são usados para resolver problemas de otimização onde há incertezas. No setor de finanças, eles são fundamentais no gerenciamento dinâmico de ativos e passivos.

“Um exemplo de aplicação clássica desses modelos é o gerenciamento de fundos de pensão, em que é preciso considerar alocações ótimas dos recursos em certas classes de ativos — ações, títulos públicos, imóveis etc. — para fazer um balanceamento disso, levando em consideração que o futuro é incerto e que você quer pagar a aposentadoria de todos os contribuintes sem ter déficits.”

O doutorando faz uma ressalva: não existe uma fórmula mágica. “Nesse tipo de modelo você escreve todas as restrições e considera os cenários futuros incertos, apertar o botão [do computador] e vê qual é a política ótima de execução. Claro que não é algo simples assim. Quando se obtém o resultado, a gente olha se aquilo está fazendo sentido, ajusta um pouquinho o modelo e roda de novo. Não é uma fórmula mágica. Tem de ir ajustando até que pareça fazer sentido para aquele grupo de pessoas. Tem ciência, mas é um pouco de arte também”, completa.

Sem planos concretos para seguir na carreira acadêmica por ora, Reaiche comemora o retorno ao trabalho após a licença do BNDES para fazer o doutorado, especialmente por poder aplicar no dia a dia o que desenvolveu em sua pesquisa. “Tenho o privilégio de voltar e trabalhar com isso. É ver as coisas da tese funcionando na prática”, garante.

Marcus Reaiche defendeu a tese nesta quarta-feira (16), às 14h, na sala 224, do IMPA. A banca examinadora era formada por Alfredo Iusem, Mikhail Solodov e Roberto Imbuzeiro de Oliveira (IMPA), Claudia Sagastizábal (pesquisadora independente), Juan Pablo Cajahuanca Luna e Luis Mauricio Graña Drummond (UFRJ).