Navegar

27 de agosto de 2018, 15:29h

Katherine Johnson ajudou a levar o homem à Lua

 

“Eu contava tudo, os passos até a estrada, os passos até a igreja, o número de pratos e talheres que eu lavava… Tudo o que podia ser contado, eu contava”.

(Katherine Johnson)

Em um período em que o machismo e a segregação racial nos EUA fechavam as portas das universidades para as mulheres negras, Katherine Johnson foi uma desbravadora. Aos 15 anos, conseguiu chegar aos bancos universitários. Aos 35, integrava a equipe de cientistas que levou o homem à Lua. Aos cem anos, completados neste domingo (26), a norte-americana é uma das mais influentes matemáticas de todos os tempos.

O talento demonstrado pela estudante era tanto que a West Virginia University precisou criar uma classe de geometria analítica espacial especialmente para ela. Diplomada, encontrou barreiras para atuar em sua área e teve que lecionar Matemática e francês – outro de seus talentos.

Leia também: Doutor pelo IMPA recebe prêmio do presidente de Honduras
Homenagem ao pai da geometria diferencial no Brasil
Adriana Chavarría defende a paixão pelo “caos”

No início da década de 50 do século passado, Katherine soube que a Naca (National Advisory Committee for Aeronautics), atual Nasa, buscava mulheres negras para trabalhar como “computadoras” – como os computadores eletrônicos não existiam, todos os cálculos matemáticos eram feitos à mão.

Ela teve de insistir para ser aceita. Inscreveu-se duas vezes. Chegou à Nasa aos 35 anos e foi peça essencial nos cálculos e pesquisas que levaram a missão Apollo 11 à Lua, em 20 de julho de 1969.

O reconhecimento pela façanha veio tardiamente. Aos 97 anos, em 24 de novembro de 2015, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade das mãos do presidente Barack Obama. Na ocasião, teve sua trajetória citada como exemplo pioneiro de mulheres negras na ciência, tecnologia, engenharia e Matemática.

Em 2017, a Nasa batizou com seu nome um novo centro de pesquisa computacional. Este ano, Katherine integrou a linha “Mulheres Inspiradoras”, da boneca Barbie.

Parte de sua trajetória foi contada no filme “Estrelas Além do Tempo”, do cineasta Theodore Melfi. O filme foi lançado no ano passado. Coube à atriz Taraji P. Henson interpretar Katherine Johnson.

Leia também: Pedro Nunes, matemático entre dois mundos
A beleza matemática dos flocos de neve
IMPA abre concurso para contratar pesquisador