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8 de março de 2018, 11:15h

Karen Uhlenbeck: A luta por um lugar ao Sol

É comum ouvir grandes matemáticos dizerem que sempre foram apaixonados pela disciplina. Este não é o caso da matemática americana Karen Uhlenbeck. Apaixonada por livros desde a primeira infância, tinha muito interesse por Ciências, tanto que ao ingressar na Universidade de Michigan tinha a intenção de se formar em Física.

Foi a combinação de aulas emocionantes de Matemática com o baixo desempenho nas matérias práticas de Física que a fez mudar de ideia. Com a licenciatura completa em 1964, partiu para Nova York para fazer o mestrado o Instituto Courant.

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Com o casamento e a mudança de seu marido para Harvard, acabou terminando o mestrado na Universidade Brandeis (1966), onde também concluiu o doutorado em 1968, sob a supervisão de Richard Palais.

Durante o ano de 1968, manteve um posto temporário como pesquisadora no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. No ano seguinte, também ocupou cargo temporário na Universidade da Califórnia.

Em sua busca por uma posição permanente, cansou de ouvir que deveria ir para casa para ter filhos e deixar de lado a matemática. Instituições de renome, interessadas em ter seu marido como pesquisador, alegavam que não podiam contratá-la por conta da cláusula anti-nepotismo.

Em 1971, conseguiu um cargo permanente na Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign. Ela não gostou da cidade e percebeu que não seria capaz de progredir em sua carreira e, eventualmente, se divorciou e assumiu um cargo na Universidade de Illinois em Chicago, em 1976.

Especialista em equações diferenciais parciais, desde 1988 é professora titular da cadeira Sidney Richardson, do Departamento de Matemática da Universidade do Texas em Austin.

Em 1990, enfim o reconhecimento por seu trabalho. Foi chamada para ser a segunda mulher a fazer uma palestra plenária do Congresso Internacional de Matemáticos (ICM), realizado em Quioto (Japão). Entre as muitas honras que Karen recebeu por seu trabalho, destacam-se ter sido eleita para Academia Americana de Artes e Ciências (1985),  membro da Academia Nacional de Ciências (1986), Medalha Nacional da Ciência (2000), Prêmio Steele – da Sociedade Matemática Americana (2007) e membro da Sociedade Americana de Matemática (2012).

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