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2 de fevereiro de 2018, 10:12h

John Charles Fields (1863-1932): A história da Medalha Fields

O matemático canadense John Charles Fields, mais conhecido por ser o fundador da Medalha Fields, considerado o “Nobel da Matemática”, nasceu em Hamilton (Ontário), em 1863. Filho do dono de loja de artigos de couro e de uma professora, Fields iniciou os estudos em escolas públicas de sua cidade natal, tendo sempre destaque na Matemática, que lhe garantiram inclusive uma medalha de ouro pelo mérito na disciplina.

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Graduou-se em Matemática na Universidade de Toronto em 1884. Concluiu o doutorado na Universidade Johns Hopkins (EUA), em 1887, onde permaneceu por dois anos como professor desta instituição.

Desiludido com a situação da pesquisa matemática na América do Norte, seguiu para a Europa em 1891, estabelecendo-se inicialmente em Berlim, Göttingen e Paris, onde se associou com alguns dos maiores matemáticos do seu tempo, como Karl Weierstrass, Felix Klein, Ferdinand Georg Frobenius e Max Planck. Foi nesse período também que Fields iniciou uma amizade duradoura com Magnus Gösta Mittag-Leffler e começou a publicar artigos sobre um novo tópico — funções algébricas —, que viria a ser o campo mais profícuo de sua carreira.

De volta ao Canadá em 1901 para um curso na Universidade de Toronto, Fields trabalhou arduamente para elevar o nível matemático no país. Foi eleito presidente do Royal Canadian Institute (1919-1925) e responsável direto por Toronto sediar o Congresso Internacional de Matemáticos de 1924. Dedicou-se tanto a essa tarefa que acabou desenvolvendo problemas cardíacos.

Idealizador da Medalha Fields desde o final da década de 1920, não chegou a vivenciar a concretização da condecoração. Morreu aos 69 anos, em 9 de agosto de 1932, vítima de um acidente vascular cerebral. Porém, no leito de morte fez com que o colega irlandês John Lighton Synge garantisse que seu testamento destinasse 47 mil dólares para os fundos da Medalha Fields. E assim foi feito.

Conferida a primeira vez em 1936, a medalha foi reintroduzida no primeiro ICM após a Segunda Guerra Mundial, em 1950, e desde então é concedida a cada quatro anos.

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