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28 de novembro de 2018, 15:48h

IMPA realiza conferência sobre matemática financeira

A declaração de falência apresentada pelo banco de investimento Lehman Brothers em Nova York, na segunda-feira, dia 15 de setembro de 2008, derrubou a primeira peça do dominó. A queda sucessiva ultrapassou fronteiras, Bolsas despencaram no mundo todo, e uma grave crise financeira de efeitos prolongados se instalou. O movimento chacoalhou, de forma peculiar, a comunidade matemática, ao impulsionar uma nova área de pesquisa para investigar riscos sistêmicos nos sistemas bancários.

Para quem ainda imagina que estudos dessa natureza importam apenas a grandes investidores, basta lembrar de como a crise iniciada em Nova York atingiu o cidadão comum em todo o mundo, com a falência de empresas e aumento do desemprego.

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Em Cocal dos Alves (PI), a matemática virou queridinha

“O sistema bancário é visto como uma grande rede. Tentamos caracterizar sua resiliência a choques. Isto é extremamente importante do ponto de vista do regulador (governo), a fim de implementar regras que irão fortalecer o sistema sem limitar sua eficiência. A propagação da inadimplência pode ter um impacto enorme na economia e em toda a sociedade. Portanto, é importante para todos. Investidor ou não”, observa Jean-Pierre Fouque, professor de Estatística e Probabilidade Aplicada da Universidade da Califórnia (EUA).

Palestrante convidado do Research in Options – conferência internacional sobre matemática financeira realizada desde 2005 pelo IMPA e coordenada por Jorge Zubelli –  o pesquisador discorreu sobre o tema, que, segundo explica, é o risco de uma interrupção da capacidade do mercado de facilitar os fluxos de capital, movimento que resulta na redução do crescimento do PIB global.

Como observa Fouque, o sistema financeiro não é determinista. Ele está sujeito a choques aleatórios e evolui em resposta a esses choques. “São muitas as fontes de risco. Algumas são internas, refletindo a estrutura do sistema, outras são externas, como potenciais ataques por aqueles que se opõem a um sistema capitalista.”

Jean-Pierre Fouque

Além da crise de 2008, Fouque cita como outro exemplo de risco sistêmico os flash crashes, como o ocorrido no dia 6 de maio de 2011, nos Estados Unidos. Na ocasião, o índice Dow Jones, um dos principais indicadores do mercado financeiro americano, caiu quase mil pontos em um dia, fato relacionado ao trading por algoritmo, modalidade de negociação on-line nos mercados financeiros, na qual o modo de operação é automatizada.  Também chamado de trading automático ou de alta frequência, ele usa um sistema de cálculo baseado em algoritmo. É um sofware que determina, por exemplo, volume a ser negociado e estratégia a ser adotada.

“Este domínio tem sido o tema de muitas pesquisas recentes, a fim de compreender o comportamento de negociação de alta frequência feito por estratégias de negociação automáticas”, explicou Fouque.

Aberto no sábado, em Búzios, a edição deste ano da Research in Options homenageia Bruno Dupire, diretor de Pesquisa Quantitativa da Bloomberg, em Nova York. Cerca de 100 pesquisadores nacionais e internacionais estão reunidos para debater o uso de sofisticadas ferramentas matemáticas no mercado financeiro, das equações diferenciais parciais às análises estocásticas e métodos numéricos.

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