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5 de fevereiro de 2018, 15:43h

IMPA inaugurou pós-graduação em matemática no Brasil

Ricardo Mañé: palestrante convidado no ICM s 1986 e 1994

* O texto abaixo fez parte do dossiê de candidatura do Brasil ao Grupo 5, a elite da Matemática mundial, da União Matemática Internacional 

A história dos estudos de pós-graduação no Brasil está intimamente relacionada às duas principais agências de promoção da ciência, CNPq e CAPES, ambas criadas pelo governo federal em 1951. O CNPq oferece apoio a pesquisadores individuais e grupos de pesquisa, enquanto a CAPES financia e avalia programas de pós-graduação, em ciclos quadrienais.

A origem dos programas de pós-graduação remonta ao chamado Programa Universitário, lançado pela CAPES em 1953, que ofereceu bolsas, bolsas de estudo e apoio à organização de eventos científicos, a fim de promover visitas de pesquisadores estrangeiros e cooperação entre instituições.

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Os programas de pós-graduação foram formalmente reconhecidos em 1965, quando o Ministério da Educação aprovou o quadro legal para suas atividades. Nesse ponto, existiam vinte e sete programas de mestrado e onze de doutorado, em todas as áreas do conhecimento.

Outros regulamentos foram emitidos até o final dessa década, e os planos nacionais de pós-graduação foram formulados pelo governo federal desde 1975. O quinto Plano Nacional de Pós-Graduação está atualmente ativo, para o período 2011-2020.

O primeiro programa de pós-graduação em matemática começou no IMPA em 1962. No final daquela década, os programas de doutorado ainda eram escassos e concentrados em torno do Rio de Janeiro e de São Paulo, com alguns programas de mestrado espalhados por outras cidades. Apesar de um início lento, o sistema cresceu de forma constante, de modo que, na virada do século, existiam programas de pós-graduação em matemática nas cinco principais regiões geográficas do Brasil: Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Desde então, vários desses programas foram elevados de mestrado para doutorado, e o sistema como um todo mais do que duplicou de tamanho.

Historicamente, a grande maioria dos programas de pós-graduação foi concebida para o meio acadêmico, ou seja, para a formação de professores universitários e pesquisadores. Essa tendência começou a mudar na década de 1990, com a criação de programas chamados “profissionais”, cujo objetivo é qualificar recursos humanos para trabalhar em ambientes não necessariamente acadêmicos.

Atualmente, existem seis programas de mestrado profissional em matemática, em áreas como matemática industrial, métodos matemáticos em finanças e treinamento de professores. Entre os últimos, a rede nacional Mestrado Profissional em Matemática (PROFMAT) recebe 1.600 novos estudantes a cada ano, em cerca de cem campi em todos os estados brasileiros. Deve-se notar que o número total de alunos em programas de doutorado duplicou na última década, de modo que, até 2013, ultrapassou o número de alunos em programas de mestrado.

Além disso, um número significativo de estudantes brasileiros obtém seus diplomas no exterior, a maioria das vezes patrocinado pela CAPES ou CNPq através de bolsas de pós-graduação. Um modelo popular, chamado de doutorado sanduíche, permite que estudantes matriculados em programas de doutorado brasileiros visitem centros de excelência em outros países por um período de um ano, para realizar uma parte da pesquisa com especialistas internacionais distinguidos.

César Camacho: palestrante convidado no ICM 1990

O número de estudantes brasileiros no exterior, graduados e pós-graduados, foi promovido pelo Programa Ciência Sem Fronteiras, lançado pelo governo federal em 2011. O programa ofereceu um número substancial de bolsas de estudo a pesquisadores internacionais relevantes para visitar os centros de pesquisa brasileiros.

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