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23 de março de 2018, 09:45h

Grandes professores de matemática moldam destinos

No dia 14 de março, o mundo perdeu um dos cientistas mais carismáticos dos últimos cem anos. Em uma fase do avanço da ciência em que é cada vez mais difícil realizar experimentos para testar as hipóteses da física, o britânico Stephen Hawking (1942-2018) tornou-se o maior expoente na aplicação da outra ferramenta de que dispomos para desvendar o Universo: a matemática.

Por meio de seu intelecto, Hawking e seus colaboradores descobriram fatos notáveis sobre fenômenos –tais como os buracos negros– que ainda nem sequer pudemos observar. Recordo a minha fascinação quando, nos tempos da faculdade, tomei conhecimento do “teorema da singularidade”, que Hawking provou juntamente com Roger Penrose (nascido em 1931): é a prova matemática de que pelo menos parte do Universo foi criada em algum momento, ela não pode ter existido desde sempre.

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Mas Hawking não foi um talento nato, pelo contrário. Devido em parte ao progresso lento com a leitura e a escrita, ele teve dificuldades com a matemática na escola. Atribuía ao britânico de origem armênia Dikran Tahta (1928-2006),seu professor de matemática na adolescência, muito do mérito pela descoberta da vocação.

“A mente humana é incrível. Para atingir todo o seu potencial, precisa de uma faísca. A faísca do questionamento, da emoção, da paixão. Muitas vezes, ela vem de um professor. Dikran Tahta me mostrou como aproveitar minha energia e me encorajou a pensar criativamente sobre matemática. Ele me fez pensar. Ele me fez ser curioso. Ele abriu novos mundos para mim. Isso é o que um grande professor pode fazer”, declarou.

Como se cria um grande professor de matemática, e como incentivar cada vez mais o seu surgimento no nosso país?

Em visita recente ao Brasil, o diretor Andreas Schleicher da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) foi solicitado a opinar sobre os desafios e oportunidades da nossa educação. Schleicher coloca o professor no centro de suas respostas, ressaltando que tecnologia, diversidade e novos currículos tornaram o trabalho do docente “cem vezes mais difícil nos últimos dez ou 15 anos”.

“Ensinar fórmulas e equações é muito mais fácil do que ensinar o pensamento matemático. Pense nas demandas sociais colocadas sobre o professor. Não é apenas sobre como ensina, mas sobre quem ele é, como se relaciona com os estudantes e atende às necessidades de cada um. É como se ele tivesse que se tornar um assistente social ou um psicólogo”, pondera.

Schleicher insiste que é necessário tornar a carreira docente intelectualmente mais atraente, priorizando o investimento na formação do professor. E dá como exemplo a Finlândia onde, segundo ele, “todo mundo quer ser professor e não por causa do dinheiro, mas porque é uma profissão incrível, que envolve como organizar escolas, desenvolver lideranças e organizar carreiras”

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