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7 de dezembro de 2018, 12:07h

Finalista do Prêmio VEJA-SE criou projeto de Matemática

“Mulheres de Brasília em cursos de Exatas, vamos fazer um projeto voluntário para meninas de escolas públicas?” Quando a brasiliense Lilah Fialho leu o post-convite no Facebook, em 13 de janeiro de 2017, topou na hora e assumiu a administração do projeto “A menina que calculava”. Por causa da iniciativa, tornou-se uma das finalistas do Prêmio VEJA-SE, criado para valorizar histórias inspiradoras, protagonizadas por cidadãos que se destacaram no ano como agentes de mudanças na sociedade brasileira. A votação popular on-line já está aberta e se encerra dia 17.

São três finalistas em cada uma das seis categorias – Educação, Saúde, Diversidade, Políticas Públicas, Inovação e Cultura –, escolhidos pela VEJA, a partir de indicações de especialistas de todas as regiões do Brasil. Com base nos critérios impacto social, alcance e originalidade de atuação dos candidatos, o voto popular e o de um corpo de notáveis define os vencedores, que serão revelados na edição impressa de Veja, que circula no dia 28 de dezembro, e no site da publicação.

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Na edição deste ano, a Matemática está triplamente representada. Além de o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, integrar o corpo de notáveis, dois dos três finalistas na categoria Educação guardam vinculação com a disciplina: Lilah, que, embora Física, toca um projeto criado para mostrar que Matemática também é coisa de meninas; e Adalberto Marques, professor de Matemática, que desenvolveu um currículo para adolescentes do Centro Social de Atendimento Socioeducativo (Case) de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco.

O projeto “A menina que calculava” é adaptação do título do livro mais conhecido de Malba Tahan, grande divulgador da Matemática. A ideia, lançada pela Física e professora da rede pública do Distrito Federal, Erica Oliveira, surgiu com o objetivo de dar monitorias gratuitas em disciplinas de Exatas, como Matemática e Física, para meninas de escolas públicas do Distrito Federal. 

Em outro post no Facebook, ela publicou os objetivos do projeto e convidou voluntárias para monitoria, universitárias ou graduadas: “Queremos que essas meninas se sintam confortáveis com as áreas de exatas, que tirem suas dúvidas, que aprendam muito bem e que percebam que ‘ser de exatas’ é coisa de meninas, sim!” “As meninas são boas em matemática, meninas têm bom raciocínio lógico e mais do que isso: meninas podem se dar muito bem em áreas de exatas!”

Quando havia 30 voluntárias cadastradas, iniciaram o contato com as escolas do Distrito Federal para apresentar o projeto e oferecer a monitoria. Iniciaram em março de 2017. “De repente, quando a gente viu, havia muita voluntária. Conseguimos atender mais escolas do que o esperado”, conta Lilah.

As turmas são formadas a partir de três meninas. A maior parte é estudante dos primeiros anos do Ensino Fundamental. Segundo Lilah, doutoranda em Física, o viés de gênero na Matemática começa a surgir por volta dessa época, quando as estudantes têm seis, sete anos, e piora com o passar dos anos, até a universidade. “A partir do penúltimo semestre de graduação, as pessoas começam a ter uma ou duas meninas no máximo”, diz, pontuando que não teve professora na pós-graduação.

No primeiro semestre de 2017, quando foi lançado, o projeto atendeu 120 meninas por semana, em oito escolas diferentes. “Fizemos uma palestra para as monitoras do projeto, sobre como ensinar Matemática para crianças, para fortalecer o conhecimento delas nessa área e melhorar o atendimento delas para meninas”, diz.

Filha de advogado e de psicóloga, Lilah conta ter sido muito inspirada pela mãe. “Ela sempre nos incentivou muito a ler, estudar. E deu fio, com problemas de lógica. Colocava a gente para pensar”.

Formada em Filosofia, Luiza Silva Porto Ramos soube do projeto por divulgação de amigos. Aderiu na primeira hora como voluntária. “Acho que estimula as meninas, faz com que se sintam mais confortáveis”, diz ela, que no momento deu um tempo para se concentrar na dissertação do mestrado em Lógica e Filosofia da Matemática, na Universidade de Brasília (UnB).

“Tento explicar de um jeito diferente. Não existe uma forma só de entender um conteúdo. Em Matemática, acho mais interessante dar o problema e deixar que elas pensem o que é preciso fazer para resolvê-lo. Só depois entender que existe uma teoria por trás. As crianças respondem muito bem a desafios. Elas adoram”, avalia.  

Maria Laura Perpétuo, do 7° ano do CEF 02 de Brasília, participou das monitorias.  Diz que vê o “A Menina que Calculava” como uma grande porta para o futuro. “Ganhei mais interesse em trabalhos sobre Matemática.”

Este segundo semestre, o movimento desacelerou um pouco – 60 meninas atendidas por semana em quatro escolas – por conta da incompatibilidade de horários. “Boa parte das monitoras estão na graduação. Às vezes os horários não batem”, explica Lilah, observando que isso é temporário. As inscrições para 2019 já estão abertas. E a votação on-line também!

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