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Festival mostra Matemática divertida e que transforma vidas

De família humilde, a carioca Alessandra Yoko Portella sempre foi cobrada para ter nota alta em todas as matérias –matemática não era destaque no seu boletim. Na 8ª série, ganhou medalha de ouro na Obmep (Olimpíada de Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), participou de programas da Olimpíada e tomou uma decisão: seria engenheira. Estudou muito. Hoje é engenheira de controle e automação numa empresa tecnológica. “Tenho o melhor trabalho do mundo. Eu me pego pensando o quanto eu teria tomado a decisão errada se não tivesse tido essas oportunidades.”

César Ilharco é brasiliense e foi duas vezes medalhista de ouro da Obmep. As portas do mundo se abriram para ele: concluiu a graduação e o mestrado na famosa École Polytéchnique de Paris. Em seguida, uma carreira fulgurante: estagiou na Google da Suécia, na Amazon da África do Sul e no Facebook, na Califórnia. Atualmente, trabalha na Google Research, na Suíça, focando na compreensão e síntese de linguagem natural. “Um trabalho misto de pesquisa e engenharia”, explica.

Tábata Amaral Pontes também ganhou duas medalhas na Obmep. O sucesso a levou da periferia de São Paulo à Universidade Harvard, onde se graduou em 2016 com uma tese premiadíssima. De volta ao Brasil, é co-fundadora de ações que preparam alunos de escolas públicas para as olimpíadas científicas, e defende que a educação seja prioridade na agenda política nacional. “Meu sonho é ser uma gestora pública e contribuir para que o Brasil tenha uma educação pública de excelência.”

Como todos os medalhistas da Obmep até 2016 – neste ano, mais de 4 mil escolas particulares também participarão –, Pietro Pepe estudou em escola pública. Hoje faz graduação em engenharia da computação na PUC-Rio, com bolsa da Obmep para estudar matérias do curso de matemática, e atua em laboratórios da universidade voltados para a pesquisa e desenvolvimento de jogos digitais. Também dá aulas de matemática e física em pré-vestibulares comunitários. “O conhecimento matemático é um grande diferencial em tudo que faço”, afirma o jovem carioca.

Os quatro são testemunhos de como a matemática pode transformar trajetórias de vida. Têm outra coisa em comum: todos serão protagonistas do Festival da Matemática, o primeiro no Brasil, no Rio de Janeiro, de 27 a 30 de abril, compartilhando suas experiências de vida com o público. Parte importante das atividades do Biênio da Matemática 2017-2018, o Festival é uma ideia ousada: um evento público e gratuito em que a disciplina estará no centro de diversão e entretenimento para todos. Crianças, pais, alunos e professores serão recebidos pela mascote Aramat (uma arara matemática concebida por alunos de uma escola pública de Uberaba) e convidados a conhecer a matemática como ela é: instigante, interessante, desafiadora e, sim, muito divertida.

A programação é rica: oficinas de arte e matemática, música, brincadeiras com números, jogos, capturas de Pokémon, charadas, palestras, exposições, filmes, protótipos 3D, jogos eletrônicos e muitas outras atividades (veja a programação ). Tudo para encantar os visitantes com o interesse, a importância e a diversão da matemática. Três dos nossos melhores matemáticos e comunicadores científicos também estarão lá: Carolina Araújo, do Impa; Pedro Malagutti, da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), e Ralph Teixeira, da UFF (Universidade Federal Fluminense).

Do exterior, outro time fora de série. Rogério Martins, celebridade em Portugal por apresentar em horário nobre de televisão o programa de sucesso “Isto é matemática!”; o americano John Bush, pesquisador do MIT (Massachussets Institute of Technology), que encontrou no futebol brasileiro a inspiração para aplicar seus conhecimentos matemáticos ao estudo do movimento da bola; o brilhante jovem matemático senegalês Khadim War, especialista da teoria do caos, é prova de que talento não escolhe lugar; o famoso comentarista de futebol na Argentina, Adrián Paenza também revolucionou, com seus programas de TV, livros e palestras, o modo como os compatriotas veem a matemática; e o francês Etienne Ghys, brasileiro de coração e, simplesmente, o maior comunicador científico do mundo na área, vencedor do Prêmio Clay, o principal no mundo para disseminação da disciplina.

Confira a programação e os locais no site do Festival da Matemática. Leve seus filhos, seus netos, seus alunos. Ou deixe que eles o levem. Encante-se! Você nunca mais verá a matemática do mesmo jeito.