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27 de setembro de 2017, 13:29h

Equilíbrio em crises financeiras é foco da tese de Liev Maribondo

Quando o escritor norte-americano Mark Twain disse “o que nos causa problemas não é o que não sabemos. É o que temos certeza que sabemos e que, no final, não é verdade”, não imaginava que poderia estar versando sobre a economia mundial.

Cada vez mais englobado, o mercado financeiro vive diariamente sob o que podemos chamar de “efeito borboleta”: o simples movimento errado em uma economia qualquer pode causar mudanças catastróficas em outra parte do planeta.

Duvida?  Foi mais ou menos o que aconteceu em 2008, quando a bolha imobiliária norte-americana estourou e o mundo inteiro passou a sofrer as consequências da falência de bancos de investimento, como o Lehman Brothers.

A chamada “crise dos subprimes” — empréstimos concedidos a clientes que não tinham boa avaliação de crédito nos EUA —, que poderia ter quebrado os Estados Unidos, como em 1929 (crash da Bolsa de Nova York), se alastrou como uma onda, espalhando crise e desemprego mundo afora, com efeitos ainda hoje sentidos.

E o que a Matemática tem a ver com isso? Tudo! Se um matemático americano conseguiu prever esse efeito devastador da economia e lucrar com isso, como se pode conferir no filme “A grande aposta” (tem na Netflix), outros podem dar direcionamentos para lidar com o fenômeno, como é o caso de Liev Ferreira Maribondo, que defende tese sobre o tema — “Intervenções de Crises Financeiras em Modelos de Equilíbrio Geral” —, no dia 29 de setembro, às 15h, na sala 232 do IMPA.

Formado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e mestre em Economia Matemática pelo IMPA, Maribondo foi orientado no mestrado pelo pesquisador Aloisio Araujo.

Na tese que será examinada pela banca formada por Araujo, pela coorientadora Susan Schommer (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), por Rafael Ferreira (Universidade de São Paulo), Juan Pablo Gama, Maurício Villalba e Carolina Parra (IMPA), o doutorando analisa “uma nova forma de intervenção do governo em momentos de crise financeira, como a de 2008 nos EUA”.

Para isso, o cientista econômico apresenta dois trabalhos sobre intervenções em períodos de crise. O primeiro deles apresenta uma nova política envolvendo o relaxamento do requerimento de colateral e uma participação do governo dividindo o comprometimento dos agentes nos ativos financeiros. O segundo faz uma análise numérica dos efeitos de duas intervenções de crise, a política monetária não convencional e a nova política apresentada, num contexto de crenças heterogêneas.

Maribondo explica que a tese pode ter aplicações práticas.

“Os formuladores de políticas públicas do governo podem, dependendo do caso, se inspirar nos resultados da tese para desenhar regras concretas que executem a intervenção proposta.”

Além disso, o trabalho apresentado no IMPA terá importante contribuição acadêmica. Para o pesquisador, isso se dá pelo fato de “mostrar que a nossa intervenção pode melhorar algumas economias que não se beneficiam da política monetária não convencional. Esta última política, a monetária não convencional, foi uma das mais importantes utilizadas em 2008 pelas autoridades americanas”, explica.

Contente com os resultados obtidos na tese, Maribondo agradece o orientador Aloisio Araujo, pela parceria e o sucesso na empreitada. Ele equilibra bem as duas coisas mais importantes: a liberdade, para que o aluno possa desenvolver as ideias à sua maneira; e o acompanhamento, para garantir que o aluno finalize a tese e publique em bons periódicos.”

O futuro doutor ainda ressalta a infraestrutura do IMPA e a qualidade de seus pesquisadores como um diferencial para quem faz pesquisa acadêmica no local.

Depois da defesa, a prioridade de Maribondo é publicar os trabalhos da tese e encontrar um posto de trabalho na área, para desenvolver o conhecimento adquirido nesses anos de pesquisa. “Estarei aberto a opções de trabalho. Independentemente de onde for, pretendo manter algum grau de regularidade na pesquisa em economia”, conclui.