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19 de dezembro de 2017, 18:35h

Em visita ao IMPA, grupo pede provas da OBMEP em Libras

Matemática para todos. Foi em busca disso que um grupo liderado pelo professor Inácio Antônio Athayde Oliveira, da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, e autor de um projeto de releitura em Libras das questões da OBMEP, visitou o IMPA para propor ações que ampliem a inserção de estudantes surdos na área de matemática.

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Acompanhado do professor de Libras da Universidade de Brasília (UnB), Messias Ramos Costa, que é surdo; da professora itinerante Marcilene Carvalho; e dos estudantes Hellen da Silva Mendes e Guilherme Granjeiro da Silva, ambos surdos, o grupo fez uma visita guiada às instalações do IMPA e depois foi recebido pelo diretor-adjunto da instituição e coordenador geral da OBMEP, Claudio Landim, e pela chefe da Divisão de Provas e Premiações da OBMEP, Mônica Souza.

“O meu desafio, como professor de Matemática, é fazer com que o ensino da disciplina para alunos surdos evolua. Pensei que poderia fazer isso por meio das provas da OBMEP”, relatou Inácio Athayde, que leciona numa Sala de Recursos Específicos para Estudantes Surdos no Centro de Ensino Fundamental 8 Gama, em Brasília, polo de estudantes surdos, onde ele desenvolve o projeto, financiado pelo CNPq.

O projeto une Libras, linguagem matemática e o português escrito, por meio da releitura das provas em vídeo, traduzidas na Língua Brasileira de Sinais por estudantes surdos dos anos finais do Ensino Fundamental. Athayde aproveitou a visita para apresentar parte do material produzido, no qual os alunos apresentam e resolvem, com materiais pedagógicos visuais, questões das edições da olimpíada realizadas em 2016 e 2017.

Durante o encontro, Athayde e Costa propuseram ao IMPA a criação de um glossário de termos matemáticos na Língua Brasileira de Sinais e também a elaboração de vídeo-provas da OBMEP em Libras, assim como ocorreu pela primeira vez este ano no Enem. Atenta às ações inclusivas, a coordenação da olimpíada disponibiliza a prova nas versões em braile; em texto ampliado, para quem tem baixa visão; e também com apoio de um intérprete em Libras. A ideia foi bem recebida, mas depende de recursos.

“Tenho esperança de que o IMPA, pela excelência e liderança, possa nos ajudar a ampliar esse movimento de inclusão pelo Brasil. Temos que unir forças. É muito básico o material o que existe sobre matemática na área”, observou Messias, doutorando em Linguística na UnB.