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12 de maio de 2017, 10:04h

Elon Lima foi o matemático que amava os livros

Leia a coluna de Marcelo Viana na Folha de S. Paulo desta sexta-feira (12).

No texto, o diretor-geral do IMPA conta um pouco da trajetória do matemático, escritor e professor Elon Lages Lima (1929-2017)

Elon Lages Lima foi o matemático que amava os livros

 

Conheci Elon Lages Lima primeiro por seus livros, nos meus tempos de aluno de graduação na Universidade do Porto. Um dos meus favoritos era “Espaços Métricos”: difícil para um aluno do segundo ano do bacharelado, mas cheio de maravilhas matemáticas. Um par de anos depois conheci “Grupo Fundamental e Espaços de Recobrimento”, e o conjunto dos meus livros favoritos aumentou. Elon escrevia com cuidado, aparente facilidade, sem fugir das dificuldades e, ao mesmo tempo, sem perder a elegância jamais.

Alguns anos mais e tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o autor dos livros quando ingressei no doutorado do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada). Aproximou-nos, além da matemática, o gosto comum pela língua portuguesa e o prazer que Elon tinha em falar da “terrinha”.

Lembro do orgulho divertido com que me mostrou uma foto sua ao lado de uma placa de trânsito com a indicação Lima (seu sobrenome): o rio Lima, no norte de Portugal, de cujas margens emigraram para o Nordeste brasileiro alguns de seus ancestrais.

Foi um dos matemáticos mais influentes que o Brasil já produziu. Pesquisador, dirigente, professor, autor, didata e mentor de jovens talentosos. Domingo passado, Elon Lages Lima morreu no Rio de Janeiro, aos 87 anos.

Por décadas, Elon cuidou com enlevo da biblioteca do Impa, ajudando a torná-la uma das melhores do mundo em matemática.

Sabendo do seu amor pelos livros, um amigo comum, espanhol, deu a Elon muitos anos atrás um presente que ele prezava muito: um fac-símile do ameaçador regulamento medieval da biblioteca da Universidade de Salamanca, a mais velha da Península Ibérica. “Será excomungada toda pessoa que roubar ou danificar algum livro ou pergaminho desta biblioteca”. Elon prendeu o cartão na entrada da nossa biblioteca, e continua lá.

O aviso em espanhol antigo mais parece hoje um alerta bem-humorado aos visitantes. Como os livros de Elon, vai à essência da questão, de forma direta, e todos entendem.

Para ler na íntegra acesse o site do jornal:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloviana/2017/05/1883369-elon-lages-lima-foi-o-matematico-que-amava-os-livros.shtml

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