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26 de outubro de 2017, 10:55h

Diana Sasaki usa combinatória para resolver problemas reais

Diana Sasaki na entrega do prêmio/Aline Massuca/Divulgação Loreal

Colorir mapas pode parecer uma simples tarefa escolar, mas, para a carioca Diana Sasaki Nóbrega, é trabalho sério. Vencedora do Prêmio Para Mulheres na Ciência, a especialista em Teoria dos Grafos se dedica à solução de problemas baseados na Conjectura das Quatro Cores, proposta em 1852 pelo sul-africano Francis Guthrieé. O autor queria saber se é possível colorir qualquer mapa desenhado em um plano utilizando-se de quatro cores, de forma que as regiões vizinhas tenham cores diferentes. A premiação é uma parceria da L’Oréal com a Unesco e a Academia Brasileira de Ciências.

Em 1976, os matemáticos Kenneth Appel e Wolfgang Haken conseguiram comprovar a tese e bater o martelo: quatro cores são realmente suficientes para colorir um mapa, de forma que duas regiões de mesma cor não se encontrem.

O trabalho de Diana é usar essa área da Matemática Combinatória para resolver conflitos da vida real, como, por exemplo, determinar da forma mais econômica a alocação de professores na grade de um curso.

Pós-graduada no Programa de Engenharia de Sistemas e Computação no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), fez doutorado sanduíche no Laboratório de Ciências para a Concepção, Otimização e Produção em Grenoble, na França, e o pós-doutorado na Universidade Paris-Dauphine.

Há dois anos, atua como pesquisadora/professora do Departamento de Matemática Aplicada do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Como reconhecimento por seu trabalho, ganhou o Prêmio Para Mulheres na Ciência 2017, promovido pela L’Oréal em parceria com a Unesco e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), em cerimônia realizada na terça (24). Para Diana, a conquista chegou junto com a maternidade. Bernardo nasceu há um mês e meio e tem feito a mãe-matemática se desdobrar para atender à demanda de convites para palestras. “Estou sendo convidada para palestrar nas universidades do Rio e, por isso, eu e minha pesquisa estamos muito mais visíveis.”

Além de condecorar uma carreira em ascensão, ela prevê que o Prêmio Para Mulheres na Ciência vai “influenciar positivamente em minhas diversas candidaturas”, o que é excelente para um pesquisador.

Se ser mulher e atuar na área de ciência já era um desafio, com o nascimento do filho isso se tornou quase que um “teorema das quatro cores”, em que ela tem de conciliar a vida de mãe e de pesquisadora. “Estou sentindo que ser mulher traz o grande e principal desafio de conciliar a maternidade com as atividades de trabalho. Para pesquisar, temos que ter dedicação, atenção e tempo, tudo que um bebê também necessita.” 

As cientistas vencedoras da edição 2017/Aline Massuca/Divulgação Loreal

Matemática no Brasil

Em pleno Biênio da Matemática, momento em que os especialistas estão todos voltados para o Brasil, Diana Sasaki vê com otimismo o papel brasileiro no cenário mundial, mas critica a forma como a disciplina ainda é apresentada nas salas de aula.

“O Brasil possui excelentes pesquisadores matemáticos. Acredito que a Matemática é muitas vezes apresentada de forma inadequada. É preciso que os professores se aproximem cada vez mais dos alunos e tentem transmitir conhecimento da forma mais didática possível.”

Para Diana, a realização de eventos como o ICM (Congresso Internacional de Matemáticos) no Rio de Janeiro, em 2018, pode ser muito positiva para o desenvolvimento da pesquisa e do ensino da Matemática no Brasil.

“Atrairá muitos pesquisadores estrangeiros. Ficaremos mais visíveis. Este é o momento de mostrarmos o quanto nossa pesquisa é importante. Acredito que os eventos irão proporcionar grande interesse por parte dos estudantes e profissionais da área.”

A cientista teme, no entanto, que a crise que atinge o financiamento das ciências no país seja um obstáculo para esse desenvolvimento e cita o próprio exemplo.

“Fui contemplada com auxílios financeiros para desenvolvimento do meu projeto de pesquisa, mas os valores ainda não foram depositados, o que atrasou o cronograma previamente estabelecido para as missões de pesquisa fora do Rio de Janeiro e atrasa cada vez mais a possibilidade de equipar o Instituto de Matemática e Estatística da UERJ de forma a termos um favorável ambiente de trabalho.”

Nesse caso, o prêmio veio em boa hora, pois ela pretende aplicar o valor ganho nas missões de pesquisa com seus colaboradores no exterior e em outros lugares do Brasil. Diana ainda pretende usar parte do valor para equipar o Instituto de Matemática e Estatística da UERJ. Ela acredita que isso favorece o ambiente de trabalho e ajuda para que suas pesquisas “possam ser desenvolvidas da melhor forma possível” em seu local de trabalho.