Navegar

3 de agosto de 2018, 17:22h

Descobrindo os jovens talentos da Matemática


Por trás do talento de todos os 576 medalhistas de ouro da Olimpíada Brasileira de Matemática, há professores dedicados capazes não somente de identificar, mas também incentivar o enforco individual de seus alunos. Ontem, quando o carioca Luigi Monteiro Santos Rangel recebeu a nona medalha em olimpíadas, terceira da OBMEP, não hesitou ao atribuir o sucesso à primeira professora que viu nele o potencial que estava ainda adormecido.

Luigi falava de Maria Isabel Melo, professora de Matemática da Escola Municipal Ceará, na comunidade da Fazendinha, no complexo do Alemão. Há 9 anos na unidade, Maria Isabel já coleciona dezenas de medalhistas em diversos competições nas turmas que já lecionou. Alguns fizeram parte do grupo de 33 alunos que trouxe para assistir uma das palestras públicas do Congresso Internacional de Matemáticos.

Leia também: “Divirtam-se com a Matemática”, recomenda Gugu
Akshay Venkatesh vira rockstar entre os matemáticos indianos
Okounkov leva a geometria para passear no cosmos

Para Maria Isabel, ver um aluno receber uma honraria do porte da OBMEP é um sentimento de dever cumprido. “Por mais que a gente veja que o professor não é valorizado no nosso país, este é um momento que faz tudo valer a pena. Quando o Luigi recebeu a primeira medalha de ouro, eu chorei. Ontem, na terceira, também me emocionei. Quando ele entrou na minha turma, no 7º ano, já era um menino brilhante, mas nunca tinha explorado esse potencial”, lembra ela. Para descobrir esses talentos, a escola promove a Semana de Matemática, que este ano terá a sexta edição.

Segundo a professora, alunos do 7º ano ainda são crianças muito curiosas, imaginativas que encaram as propostas como brincadeiras e jogos. Quanto mais velho, mais difícil concorrer com outros interesses típicos da adolescência. Com o apoio dos docentes, que preparam materiais para aulas extracurriculares de Matemática, os alunos fogem da violência que os rodeia e têm contato com um mundo onde podem brilhar e ser referência para outras crianças.

“Temos que mostrar que eles podem se destacar longe dos assuntos negativos, da violência que cerca a escola”, avalia Maria Isabel que participou do Congresso com outros três professores do departamento de Matemática da escola e o inspetor André Luiz da Silva, que se forma em Matemática no fim do ano. “Nossa forma de resistência é essa. Nossa luta é levá-los para participar de várias olimpíadas e de eventos como a palestra de hoje”, conta.