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3 de agosto de 2018, 18:13h

Desafio de robôs encanta alunos e pesquisadores

 
“Gente, é um robô! Tenho que mostrar para a minha avó!” Essa foi a primeira reação de Gabriele Corrêa, de 15 anos, ao se aproximar de um dos estandes expostos no Pavilhão 2 do Riocentro. 
 
Aluna da Escola Municipal Ceará, em Inhaúma, Zona Norte do Rio, ela usava um controle de videogame para conduzir a máquina às estações de anéis espalhadas pela mesa. Seu objetivo era fazer o robô segurar a argola e encaixá-la em ganchos de diferentes alturas; quanto mais alto, maior a dificuldade e a quantidade de pontos conquistados.
 
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À primeira vista, a tarefa engana e parece simples, mas o desafio fez parte da última edição de uma competição que engaja mais de um milhão de pessoas e 19 mil escolas em mais de 70 países: a Vex Robotics Competition.
 
O torneio contempla alunos do ensino fundamental ao superior, estimulando o aprendizado interdisciplinar por meio da tecnologia e vivência prática. A cada ano é apresentado um novo problema. A partir dele, os estudantes devem projetar, construir e programar um robô que seja capaz de resolvê-lo da melhor maneira possível no dia da competição.
 
A partir deste sábado (4), o estande já será remodelado para lançar a prova de 2019.  Todo esse processo educacional segue a metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes/Design e Matemática), que possibilita às escolas a utilização de um mesmo ponto de partida para ensinar conteúdos de diversas áreas.
 
 “Se o robô precisa passar por um obstáculo no caminho, o professor de geografia pode usar isso para tratar dos diversos tipos de relevo. Se terá uma garra, pode-se abordar as funções dos ossos e músculos de movimento na biologia, por exemplo”, explica Pedro Protásio, coordenador de parcerias da ETC Brasil,  que representa comercialmente a VEX Robotics.
 
Para ele, o principal mérito da metodologia é atender às necessidades de aprendizado da nova geração, que já nasce cercada por tecnologia: “Aquela famosa pergunta dos alunos, ‘onde eu vou usar isso?’, é respondida no primeiro dia de aula”, defende Protásio, que acrescenta: “Nos dias de hoje, o professor precisa estar preparado para ir além da sala de aula tradicional, criando pontes cognitivas”.
 
É verdade que escolas como a de Gabriele dificilmente terão recursos para implantar as plataformas robóticas. Isso não significa, porém, que seja impossível incluí-las nas novas práticas de ensino.
 
“A versão virtual, utilizada também pelos competidores nos treinamentos, pode quebrar essa barreira”, diz Protásio. 
 
Professor de Gabriele, Gabriel Cacau acompanha a turma no ICM 2018 e reitera a importância de iniciativas como as palestras públicas: “É muito importante trazer os alunos aqui para reduzir essa distância, mostrar a eles que é possível que amanhã seja um deles entre os medalhistas”.