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21 de janeiro de 2019, 16:45h

Cursos de verão no IMPA reúnem 400 estudantes de 11 países

Karine Rodrigues

Joan conhece Débora que conhece Heric que conhece Niyereth que conhece Ignacio que conhece Santiago que, assim como os demais, ama Matemática e faz Programa de Verão do IMPA. Na sede de um dos mais destacados centros de pesquisa na área do mundo, no Jardim Botânico, a “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, ganha outros ares, na contramão da poesia original: é dança festiva, protagonizada por uma juventude cheia de planos e futuro promissor.

Não se viu até agora ninguém bailando pelos corredores do IMPA, mas o burburinho chama atenção em um lugar onde, em geral, predomina o silêncio. A quietude ainda reina no horário das aulas, mas fora disso é uma babel: são aproximadamente 400 participantes no Programa de Verão 2019, de 11 países: além do Brasil, Argentina, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, Holanda, México, Peru. Há estudantes do país inteiro, com inscritos de 21 estados.

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Todo ano é assim: o IMPA abre as portas para receber jovens matemáticos e estudantes dos quatro cantos do Brasil e do mundo para dois meses de imersão com renomados pesquisadores – ainda é possível fazer inscrição. A programação, que este ano incluiu 18 disciplinas – de iniciação científica, mestrado e doutorado – 11 seminários e 11 minicursos, é gratuita. Além disso, para custear as despesas locais, o IMPA concedeu mais de uma centena de bolsas para quem mora fora do Estado.

A programação é para deixar os interessados na área até indecisos, diante de tanta opção, ministrada por pesquisadores do IMPA e por professores de instituições estrangeiras, como Princeton, Cambridge, Paris XIII e Toronto, e brasileiras, como UFF (Universidade Federal Fluminense), UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), UFBA (Universidade Federal da Bahia), UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) e  UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). 

Débora, de São Paulo, e Heric, de Minas, cursam “Análise na Reta”

As aulas se iniciam às 10h, mas uma hora antes o fluxo nas escadarias do IMPA aumenta. Pelas conversas na sala de café e nas áreas de convivência, é possível notar o entusiasmo. “Todo mundo aqui está interessado mesmo. Isso faz diferença. Estou gostando muito”, avalia Débora de Oliveira, 20, do bacharelado em Física na Universidade de São Paulo (USP).

No vaivém com os pesquisadores do IMPA e graduados de outra instituição, quem não concluiu o curso universitário ou está no Ensino Médio tem a chance de vivenciar uma rotina acadêmica e, quem sabe, abraçá-la num futuro próximo. Aos 22 anos, Heric Corrêa da Silva entrou em Engenharia, mas foi seduzido pelo bacharelado em Matemática, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Também faz “Análise na Reta”, com Carlos Gustavo Moreira, o Gugu. “Sem palavras de poder ter aulas com um pesquisador tão brilhante.”

Veterano no Programa de Verão do IMPA, pelo terceiro ano consecutivo, o costa-riquenho Ignacio Rojas, 22, arrumou as malas para passar os dois primeiros meses do ano no Rio. Desta vez, o estudante de Matemática na Universidad de Costa Rica escolheu o curso de “Análise Funcional”. Até dezembro, conclui a graduação. E já planeja os próximos passos: “Quero fazer pós-graduação”, diz, acrescentando que o IMPA está na mira.

Ignacio, da Costa Rica, e Santiago, do Equador: veteranos no Programa de Verão 

Na sala de café, de papo com o Ignacio, o equatoriano Santiago Achig, 23 anos, também faz “Análise Funcional”, mas, ao contrário do colega, não vai embora do Rio no fim de fevereiro. É aluno de mestrado do IMPA e pesquisa a área de Probabilidade, com orientação de Roberto Imbuzeiro. Aqui e ali, os alunos da pós-graduação do IMPA fazem como Santiago: emendam as aulas com o Programa de Verão para “aproveitar a oportunidade.”

Essa mistura de nacionalidades no IMPA não é exclusiva do período do verão. Entre os pesquisadores, há várias línguas maternas. Russo, Alexei Mailybaev, da área de Dinâmica dos Fluidos, é quem leciona “Introdução à Teoria de Vibrações e Ondas”, título que estampa a apostila nas mãos do peruano Joan Joel Cáceres Ramirez, 25, estudante de Física na Universidad Nacional de Ingeniería, em Lima.

“Gosto muito de Física Matemática. Tem sido muito bom acompanhar as aulas de Teoria de Vibrações e Ondas. Acredito que, mais adiante, possa trabalhar com pesquisas nessa área. Quero conhecer mais, fazer contatos”, explica Joan, que tão logo soube que fora aceito para o Programa de Verão passou a praticar português diariamente.

Joan, estudante de Física no Peru, faz “Introdução à Teoria de Vibrações e Ondas”

Rebeca Alves, 17 anos, aluna do Ensino Médio da Escola Estadual Marechal Zenóbio da Costa, em Nilópolis (a 45 km do IMPA), na Baixada Fluminense, chega antes da aula para estudar na biblioteca e trocar ideias com os colegas. “No começo, foi muito difícil, nem conseguia compreender. Mas quando quero muito algo eu me dedico mesmo”, conta.

Já a colombiana Niyereth Pataroyo, 24 anos, faz “Introdução às Álgebras de Lie”, ministrada por Reimundo Heluani. Primeira vez no Brasil, a matemática tem uma só queixa: o calor do Rio de Janeiro. Aceita este ano para o mestrado no IMPA, ela terá de conviver com as altas temperaturas ainda por um bom tempo…

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