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8 de dezembro de 2018, 16:11h

Cubano Bely Morales defende tese sobre álgebras de vértices

Quando menino, Bely Rodríguez Morales saia de casa diariamente para ir à “República Federativa de Brasil”. Nem sonhava que, muitos anos depois, o país estampado no nome de sua escola primária faria parte de sua vida, de forma ainda mais determinante. Nesta segunda-feira (10), às 15h30, na sala 236 do IMPA, o cubano de 29 anos defende sua tese de doutorado, intitulada “Módulos logarítmicos para álgebras de operadores diferenciais chirais”, e orientada pelo pesquisador Reimundo Heluani.

O caminho que o trouxe até o IMPA, pode-se dizer, começou com um livro, ganho durante o período em que se preparava para participar de olimpíadas de Matemática e Física. Na época, fazia o secundário na Escola Antonio Briones Montoto. “As aulas lá eram horríveis. Um dia, a professora de Física me deu um livro para estudar. Era muito melhor do que o livro da escola, tinha experimentos malucos para fazer em casa”, recorda o doutorando, que nasceu em Havana.

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Ficou tão empolgado com o que viu que passou a buscar outros livros, até se deparar com o volume de “Álgebra Elemental Moderna”, de Mario González, que ele guarda até hoje. “Gostei muito. Tinha demonstrações lógicas. Com ele, aprendi a resolver problemas bem mais complexos que os passados em sala de aula e por meio de métodos muito mais legais, usando álgebra linear.”

A partir daí, tornou-se um assíduo frequentador de sebos, em busca de livros de Matemática. “Infelizmente, no meu país não há muita impressão de livros da área”, observa Bely, contando que, apesar disso, conseguiu reunir uma modesta coleção de usados, sobre Matemática básica, formada, por volumes de trigonometria, álgebra elementar, álgebra superior, cálculo, geometria analítica, entre outros.

O gosto pela álgebra, despertado no secundário cresceu a ponto de fazê-lo decidir pela graduação na área. Durante a Licenciatura em Matemática na Universidade de Havana, concentrou-se no tema, mais especificamente em Teoria de representações de álgebras associativas, que procura descrever estruturas algébricas usando álgebra linear.

A ideia do doutorado no Brasil surgiu em conversas com amigos que fizeram pós-graduação no país. Tinha concluído a graduação, mas não seguiu o caminho usual. Entrou no IMPA já como aluno de doutorado. Diz que foi uma escolha natural tentar uma vaga na instituição, por tudo o que ouviu até então sobre a excelência da pesquisa aqui realizada.

No IMPA, seguiu no mesmo caminho e passou a ser orientado por Reimundo Heluani, pesquisador associado do IMPA, da área de álgebra. “Meu orientador é uma das pessoas mais inteligentes que conheci”, elogia, confessando que nos primeiros meses no doutorado tinha até certa dificuldade no entendimento do conteúdo.

No doutorado, Bely trabalhou representações de álgebras não-associativas especificamente álgebras de Lie e álgebras de vértices, tema relacionado à Matemática presente na teoria de cordas, da Física. “Na tese, é calculado explicitamente a álgebra de vértices de operadores diferenciais chirais (torcidos) em variedades específicas, e seus módulos são construídos”, escreveu no resumo do trabalho.

Como, segundo ele, há poucos pesquisadores no Brasil interessados em álgebras de vértices, diz ter enfrentado dificuldade para montar a banca examinadora. Mas o trabalho foi recompensado. Na segunda-feira, Bely defenderá a tese diante um grupo renomado: Mikhail Belolipetskiy (IMPA), Jethro Van Ekeren (UFF), Lazaro Díaz (UFRJ), Andrei Mikhailov (IFT/UNESP) e Carolina Araujo (IMPA), suplente. “Todos são pesquisadores de muito prestígio na área”, avalia ele, que agora mira no pós-doutorado.

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