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19 de julho de 2018, 13:03h

Como administrar o acúmulo de trabalhos científicos?

Reprodução do blog do IMPA Ciência & Matemática, publicado em O Globo, e coordenado por Claudio Landim

Sérgio VolchanDoutor pelo Courant Institute, New York University

Pode-se argumentar que houve apenas duas revoluções científicas genuínas, a saber: a invenção da Ciência na Grécia Antiga e sua posterior retomada no século XVII. Desde então o progresso científico tem sido mais cumulativo e evolucionário do que propriamente revolucionário, e a série de espetaculares avanços que se seguiram raramente implicaram a total rejeição de conquistas prévias.

A partir do século XIX, o conhecimento científico cresceu de forma explosiva, tanto em escopo quanto em profundidade. Houve uma proliferação de áreas e subdisciplinas, cada qual com seu jargão técnico próprio e suas tradições de pesquisa; a Ciência se institucionalizou (universidades, institutos de pesquisa, politécnicas) e a busca de financiamento (estatal ou privado) tornou-se essencial.

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Estima-se que o número de trabalhos científicos publicados anualmente seja da ordem de milhões e o número de periódicos está na casa dos quarenta mil. Quem lê e digere tal quantidade de informação? Como administrar o gigantesco arcabouço de conhecimento científico acumulado e que não para de crescer?

Ainda que se lamente a crescente especialização dos cientistas, a sua necessidade é clara: dado que a realidade é inesgotável e dadas as limitações humanas (cognitivas, temporais, etc), a divisão do trabalho (tanto colaborativo quanto competitivo) é a única esperança para tentar dar conta de qualquer aspecto não-trivial do mundo.

Os benefícios são palpáveis, em termos de eficiência, planejamento e produtividade. Mas há também aspectos negativos: a dificuldade de comunicação (até mesmo entre pesquisadores em sub-áreas contíguas), a multiplicação de micro-problemas de relevância questionável, os riscos da burocratização, a competição frenética por recursos, sem contar os efeitos nefastos do tribalismo acadêmico e do “salami-science”. 

O que contrabalança a forte tendência centrífuga da especialização é a igualmente forte tendência unificadora da Ciência. Enquanto a primeira leva à fragmentação, a segunda leva à integração do conhecimento, ambas inevitáveis e complementares. E o que favorece a unificação são certas características peculiares que estão no cerne da atividade científica. 

Para ler o texto na íntegra acesse o site do jornal 

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