Navegar

16 de janeiro de 2019, 08:50h

Ciência 'inútil' revoluciona nosso dia a dia

Abraham Flexner, autor de “The Usefulness of Useless Knowledge” (a utilidade do conhecimento inútil, em tradução livre) – Reprodução

Reprodução da coluna de Marcelo Viana, na Folha de S.Paulo

Conta-se que o físico britânico Michael Faraday (1791-1867) recebeu um dia em seu laboratório o ministro da Fazenda, que o questionou para quê serviria a eletricidade, na prática. Dizem que o cientista respondeu: “Um dia, Vossa Excelência poderá cobrar impostos sobre ela.”

Um amigo me apresentou o livro “The Usefulness of Useless Knowledge” (a utilidade do conhecimento inútil, em tradução livre), de Abraham Flexner.

Leia também: IMPA realiza conferência inédita sobre Live Coding
Descoberto número primo com quase 25 milhões de dígitos
Brasileiros estão entre finalistas do Global Teacher Prize 2019

O autor faz uma defesa eloquente da ciência básica, da busca do conhecimento por si mesmo, sem objetivos práticos imediatos. Ele mostra que, muitas vezes, o impacto dela em nossas vidas é muito maior do que a pesquisa de curto prazo pode almejar ou vislumbrar.

Flexner (1866-1959) foi uma personalidade muito influente na educação e ciência dos Estados Unidos na primeira metade do século 20. Sua avaliação crítica do ensino da medicina deu origem a uma reforma profunda no treinamento de médicos na América do Norte, da qual emergiram as melhores escolas nessa área.

Ele também fundou o renomado Instituto de Estudos Avançados (IAS, na sigla em inglês) de Princeton. O IAS teve origem no desejo dos irmãos Caroline e Louis Bamberger de investir a fortuna numa iniciativa em prol da sociedade.

Os Bamberger tinham razões para estarem gratos: venderam sua loja de departamentos pouco antes do colapso da bolsa de valores em 1929, que originou inúmeras falências e deu origem à Grande Depressão.

Inicialmente, os irmãos pensavam abrir uma escola de medicina dentária, mas Flexner os convenceu a investir seu dinheiro em pesquisa básica, com destaque para a matemática e a física teórica (atualmente, o IAS está dedicado à matemática, ciências naturais, história e ciências sociais).

Foi sugerido que o instituto fosse localizado em Princeton, onde poderia usufruir do contato com uma das universidades mais conceituadas do país, e sua excelente biblioteca.

Na contratação dos primeiros pesquisadores, Flexner tirou proveito da situação vivida na Europa com o advento do nazismo, oferecendo porto seguro a cientistas de primeira linha, especialmente judeus.

Para ler o texto na íntegra acesse o site do jornal ou confira na versão impressa

A Folha permite que cada leitor tenha acesso a dez textos por mês mesmo sem ser assinante.

Leia também: Medalha Fields Michael Atiyah morre aos 89 anos
IMPA abre vaga em Matemática Aplicada
Artesanato se antecipou à descoberta de poliedro