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18 de agosto de 2017, 17:59h

Cédric Villani: 'O que há de tão atraente na Matemática?'

 

Em qualquer lugar do mundo, o francês Cédric Villani, 43 anos, costuma usar o mesmo traje: terno de três peças, lenço de seda como gravata, relógio de bolso e uma joia em formato de aranha na lapela. O jeito peculiar e exótico de se vestir chama atenção. E mais ainda por se tratar de um matemático.

Diretor do Institut Henri-Poincaré de Paris, principal centro francês de pesquisas matemáticas, professor da Universidade de Lyon e recém-eleito deputado pelo partido do presidente Emmanuel Macron, Cédric Villani ganhou, em 2010, a Medalha Fields, considerado o Nobel da Matemática, por seus trabalhos na área de equações diferenciais parciais.

Quatro anos depois, a Medalha Fields foi concedida, pela primeira vez, para um brasileiro: Artur Ávila, pesquisador extraordinário do IMPA. A notícia não deixou Cédric Villani surpreso. Em 2012, convidado para uma palestra no IMPA, ele vaticinara a escolha do carioca, já muito conhecido por seus trabalhos na área de sistemas dinâmicos.

Na ocasião, ao ser perguntado sobre o que o Brasil precisaria fazer para conseguir ser reconhecido na Ciência com um Nobel ou uma Fields, o francês respondeu: “Esperar dois anos, é isso o que vocês precisam fazer. Acho que o Artur Avila tem grandes chances de ganhar o próximo prêmio. Ele podia ter ganhado o último, mas o júri achou o que ele era muito novo e podia espera um pouco mais”, declarou Cédric Villani, em entrevista ao site Terra.

Em uma conferência TED em 2016, o francês, apelidado de Lady Gaga da Matemática, diz que ela pode ser abstrata, mas não é chata e não tem a ver com cálculos:

“Matemática tem a ver com raciocínio, com provar a nossa atividade principal. Tem a ver com imaginação, um talento que a maioria de nós valoriza. Tem a ver com encontrar a verdade. Nada se compara à sensação que nos invade quando, após meses de análise, finalmente entendemos o raciocínio certo para resolver um problema.”

Confira, na íntegra, a palestra: