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2 de janeiro de 2019, 08:53h

Calendários regulam a vida da humanidade há milênios

Reprodução da coluna de Marcelo Viana, na Folha de S.Paulo

Na infância vivi em povoados rurais do norte de Portugal. Os camponeses eram quase todos analfabetos e não tinham acesso a jornais, rádio, muito menos TV. Lembro do meu espanto com sua capacidade para saber quando estava na hora de semear ou colher o milho, a cenoura e outras espécies agrícolas. Que misterioso “instinto” do tempo possuíam essas pessoas simples?

Não é à toa que o calendário é um dos avanços mais antigos da civilização. Para as populações nômadas de caçadores-coletores era muito importante conhecer o tempo para acompanhar as migrações das espécies de caça ou conduzir os rebanhos para novas pastagens. E com a sedentarização e a invenção da agricultura tornou-se ainda mais crítico poder localizar o presente dentro dos ciclos a que está sujeito o nosso planeta, especialmente os ciclos anual e mensal.

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A arqueologia comprova que métodos para marcar o tempo, por exemplo por meio da posição dos astros, remontam ao neolítico, entre 12 mil e 6.000 anos atrás. Já os primeiros calendários conhecidos surgiram na idade do bronze, há cerca de 5.000 anos, juntamente com a invenção da escrita, na Suméria, no Egito, na Babilônia e na Assíria.

O principal problema do calendário reside no fato de que o ano (órbita da Terra em torno do Sol) e o mês (movimento da Lua em torno da Terra) não correspondem a números inteiros de dias. No século 11 os persas já sabiam que um ano contém 365,24219858156 dias, o que é notavelmente preciso.

O calendário dos babilônios consistia de 12 meses lunares, iniciados a partir da observação da Lua, juntamente com um período intercalar de alguns dias para completar o ano. A república romana usava uma variação desse calendário, mas o fato de que o período intercalar era definido por decreto político originou abusos, que levaram Júlio César a fazer uma reforma. O calendário juliano perdurou até o século 16, quando foi sendo substituído pelo calendário gregoriano que usamos hoje.

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