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30 de janeiro de 2018, 13:32h

Com matemática jovem, Brasil chega à elite da pesquisa

Foto de grupo para o 1° Colóquio Brasileiro de Matemática

* O texto abaixo fez parte do dossiê de candidatura do Brasil ao Grupo 5, a elite da Matemática mundial, da União Matemática Internacional 

O Brasil é um recém-chegado ao mundo da ciência, em grande parte devido ao desenvolvimento tardio de suas instituições de ensino superior e pesquisa. Os esforços iniciais, em torno do início do século XX, focam-se em áreas específicas como a saúde pública ou a agricultura. A matemática não foi prioritária nessa fase.

O primeiro seminário de matemática foi organizado em 1935 pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. A Faculdade fora fundada no ano anterior e também lançara uma revista de matemática. Nas décadas de 1940 e 1950, a instituição contratou em caráter de visitante vários matemáticos estrangeiros distinguidos, incluindo André Weil, Oscar Zariski, Jean Dieudonné e Alexander Grothendieck.

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Um ponto de inflexão a nível nacional foi a criação, em 1951, das duas principais agências federais de pesquisa, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) foi fundado pelo CNPq em 1952, e o Brasil ingressou na International Mathematical Union (IMU) em 1954. O Colóquio Brasileiro de Matemática foi criado pelo IMPA em 1957 e é realizado bianualmente desde então. Grande parte da matemática brasileira cresceu em torno do Colóquio. Em 1962, Leopoldo Nachbin tornou-se o primeiro brasileiro convidado ao International Congress of Mathematicians (ICM), em Estocolmo, para falar sobre sua pesquisa.

Leopoldo Nachbin: primeiro matemático brasileiro a discorrer no ICM, em 1962.

Ele foi seguido por Mauricio Peixoto no ICM 1974, em Vancouver. A Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) foi criada durante o 7° Colóquio Brasileiro de Matemática, em 1969, e logo tornou-se a organização aderente do país à IMU.

Dentro da estrutura da IMU, o Brasil mudou-se para o Grupo II em 1978 e para o Grupo III em 1981. O último desenvolvimento foi em 2005, quando foi promovido para o Grupo IV. Em todos o casos, os matemáticos brasileiros têm dado contribuições significativas para o funcionamento da União. 

Jacob Palis, palestrante convidado no ICM 1978, secretário da IMU (1991-1998) e presidente da IMU (1999-2002)

Jacob Palis foi o secretário da IMU em 1991-1998 e o presidente da IMU em 1999-2002. Paulo Cordaro foi membro da Comissão de Desenvolvimento e Intercâmbio da IMU em 2007-2010. Marcelo Viana foi vice-presidente da IMU em 2011-2014, e atuou como membro geral do Comitê Executivo da IMU em 2007-2010.

Artur Avila: palestrante no ICM 2010 e medalhista Fields 2014.

Em 2014, Artur Avila, doutor e pesquisador do IMPA, recebeu a medalha Fields. Nesse mesmo ano, o Brasil foi honrado com o direito de organizar o International Congress of Mathematicians, ICM 2018, e a International Mathematical Olympiad, IMO 2017. Os dois eventos terão lugar no Rio de Janeiro, de 1° a 9 de agosto de 2018 e de 12 a 23 de julho de 2017, respectivamente.

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