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3 de agosto de 2018, 19:41h

Até nos grandes mistérios na arte, a Matemática pode ajudar

O que diz a escrita medieval nas duas páginas de minúsculo livro eternizado em uma obra de arte do século 15? Achar que a resposta pode ser dada por paleontógrafos é algo natural. O surpreendente é descobrir que a Matemática os ajudou a solucionar o mistério.

Os 12 grupos de palavras identificados revela que os irmãos Hubert e Jan van Eyck, ao criarem o retábulo Ghent,  pintaram o trecho de um texto teológico de São Tomás de Aquino sobre a Anunciação. Eles se tornaram legíveis graças ao trabalho de matemáticos, que conseguirem apagar as finas linhas de rasura contidas na pintura.

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Histórias assim foram contadas pela física e matemática belga Ingrid Daubechies, professora da Duke University EUA), durante a palestra sobre como matemáticos ajudam curadores e historiadores de arte a estudar e compreender seus trabalhos artísticos e o processo de produção e conservação. A palestra foi dada na na tarde desta sexta-feira, no ICM 2018, e integra o Ciclo IMPA-Serrapilheira.

Primeira mulher a presidir a União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês), entre 2011 e 2014, e pioneira no Departamento de Matemática da Princeton University, um dos mais destacados centros de pesquisa mundial na área, ela ganhou diversos prêmios pelos estudos sobre wavelets, conceito matemático por trás de inúmeras aplicações, especialmente nas transmissões em alta definição.

Ao abrir o evento, a presidente do conselho do Instituto Serrapilheira, Branca Vianna, contou que Ingrid gosta de usar metáforas de tricô e crochê para ensinar conceitos matemáticos a seus alunos.

“Isso me fez pensar que essa é mais uma vantagem da diversidade na ciência. Quando a gente tem diversidade na ciência tudo é renovado, até as metáforas explicativas”, comentou.

Durante a palestra, Ingrid contou ainda sobre o trabalho desenvolvido com Massimo Fornasier – pesquisador do Johann Randon Institute  for Computational and Applied Mathematics, na Áustria – que tornou possivel a reconstituição de uma obra de arte danificada por uma bomba. Diante do trabalho de Hércules que seria analisar 80 mil fragmentos, a Matemática deu uma mãozinha e desenvolveu algoritmos que tornaram a tarefa viável, possibilitando a digitalização das peças.