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9 de janeiro de 2018, 15:23h

Até nas férias a praia deles é a Matemática

Igor Araújo, Daniel Byron e Luize D’urso: veteranos no Programa de Verão do IMPA

É tempo de férias no IMPA, mas, pouco antes das 10h, o arrastar de sandálias de dedo na escadaria que leva à recepção é mais intenso do que nos outros meses do ano. Estudantes do Rio, de diversos Estados e até de fora do Brasil recorrem ao conforto e à informalidade do uniforme oficial da estação para curtir, no IMPA, um programa de verão nada usual. A praia deles, no caso, é a Matemática.

As disciplinas ofertadas no Programa de Verão do IMPA são, podemos dizer, concorridas como um pedacinho de areia naqueles dias em que os termômetros batem os 40 graus. Afinal, são ministradas por profissionais de excelência, e a carga horária equivale a quatro meses de aula. Para atrair estudantes de fora do Rio, o IMPA oferece bolsas de estudo.

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O Globo: Menina medalhista da OBMEP participa do PIC Jr.
Matemáticos de alto nível do IMPA ministram Curso de Verão

Até o momento, cerca de 400 estudantes estão inscritos. Os cursos mais disputados têm sido Análise na Reta e Álgebra Linear.

“Todos os alunos do Departamento de Matemática estão aqui”, brinca Daniel Byron de Andrade, estudante da PUC-Rio, dando uma noção da popularidade do Programa de Verão entre os colegas universitários.

No ano passado, entre janeiro e fevereiro, Daniel passou quase 50 horas no IMPA, em sua primeira experiência no programa. Gostou tanto que sentiu vontade de repeti-la. Graduado em Física, ele agora pretende se inscrever em uma disciplina que una seus duas principais temas de interesse.

“Quando ingressei na Física senti dificuldade em relação aos conteúdos de Matemática. Na escola, minhas notas na área não eram boas. Tanto que decidi fazer outra graduação”, explica ele, que é de Armação do Búzios (RJ) e, atualmente, mora na Gávea, na Zona Sul do Rio.

Na vida de Luize D’Urso, a Matemática também já foi um peso, representado por sete medalhas de ouro penduradas no pescoço, conquistadas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).

“Participei de todas as edições possíveis”, conta Luize, que, por ter sido medalhista da OBMEP, ganhou bolsa para participar de programas de iniciação científica (PIC e PICME) durante o período em que estudou no Colégio Militar e também agora na graduação em Matemática na PUC-Rio.

“Sou muito grata por tudo isso. Foi muito bom para se aprofundar no conteúdo e conhecer pessoas que também têm interesse pela Matemática.”

A descoberta de uma Matemática divertida e instigante foi tão determinante que Luize decidiu se oferecer para dar aulas a estudantes interessados em um aprofundamento na disciplina. As atividades devem começar logo após o Programa de Verão.

“Há muito tempo tenho interesse pela Matemática. Foi a matéria preferida do meu pai e da minha mãe. E também era a minha. Acho que vários fatores contribuem para que existam poucas meninas na Matemática, como a falta de incentivo. Quero ajudar a mudar isso”, diz ela.

Crislaine Kurster veio do Espírito Santo para realizar o sonho de participar do programa 

Da turma de estudantes de fora do Rio, Crislaine Kuster, de Domingos Martins (ES), conta que participar do Programa de Verão é “um sonho realizado”. Aluna de Matemática na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), ela também participa do Programa de Iniciação Científica e Mestrado (PICME), por ser medalhista na OBMEP.

Se para Crislaine tudo é novidade, o mestrando em Matemática Igor Albuquerque Araújo circula com desenvoltura pelos corredores do IMPA. Pela terceira vez inscrito no Programa de Verão, ele conhece bem o ambiente. “Além da excelência dos cursos, ministrados por professores de alto nível, o fato de o programa ser durante as férias possibilita a participação.” 

Como diz o amigo Daniel, “dois meses de férias é tempo demais”… para ficar longe da Matemática.

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