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1 de agosto de 2017, 17:27h

Artur Avila homenageia Welington de Melo no 31º CBM

A memória do professor e pesquisador Welington Celso de Melo foi reverenciada na tarde desta terça-feira (1) em sessão especial do 31º Colóquio Brasileiro de Matemática (CBM), que se realiza no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) a próxima sexta-feira (4). Medalha Fields em 2014, o matemático Artur Avila, discípulo do homenageado, proferiu palestra sobre a atuação profissional do professor e sua importância no desenvolvimento da Matemática brasileira.

Mineiro de Guapé, Welington morreu em dezembro de 2016, aos 70 anos. Sua trajetória no IMPA começou em 1970, quando, formado em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), iniciou o curso de mestrado. Seu desempenho foi tão brilhante que em dois anos completou o doutorado, feito relembrado na homenagem pelo professor Jacob Palis, pesquisador emérito do IMPA e orientador de Welington.

“Welington chegou para fazer o mestrado no IMPA. Com a coragem que o caracterizava, em dois anos ele terminou o doutorado”, relembrou Palis.

Na palestra, Artur destacou as contribuições do pesquisador mineiro à teoria dos sistemas dinâmicos, com a publicação de livros e trabalhos de repercussão internacional, e sua preocupação em “entender o máximo de matemática possível”.

“Lembrar de Welington é lembrar de alguém que foi fundamental para nossa instituição [o IMPA) e para muitas pessoas. Ele mostrou, além de um talento matemático excepcional, um enorme comprometimento com o IMPA. Ele queria que o IMPA desse certo. A contribuição dele não era só matemática”, disse Artur na palestra, acompanhada por estudantes do Brasil e do exterior, ex-alunos, colegas do Instituto de Matemática Pura e Aplicada e pela viúva do homenageado, Gilza.

Artur contou que o orientador era um matemático “extremamente rigoroso”, comprometido com a qualidade do trabalho realizado no IMPA. “Ele queria que os trabalhos chegassem ao mais alto nível possível”, observou. Por causa desse rigor, a fama de Welington “afugentava um pouco os estudantes”. Tanto que Artur achou “meio arriscado”  inscrever-se, “acho que em 1997”, em um curso  ministrado por Welington no IMPA .

“Com muita precaução, não me inscrevi no curso, mas fui assistir às aulas. Ele se revelou, diferentemente das lendas, muito simpático comigo. No fim do curso, ele disse que eu tinha ido bem”, afirmou.

O amor de Welington pelo mar e pelos barcos foi citado pelo palestrante. Artur falou que visitar a casa dele em Angra dos Reis (cidade no litoral do Estado do Rio) “fazia parte” da trajetória de alunos e profissionais do IMPA.

“Ele chamava para ir no barco em Angra. Providenciava a comida, a cerveja. Mas os alunos tinham a tarefa de tirar as cracas do casco. Ele até fornecia os instrumentos apropriados”, disse Artur.

A viúva Gilza, em fala descontraída ao final da palestra, sentenciou, arrancando risos da plateia que lotava o auditório Ricardo Mañe. “O Artur era o filho que o Welington queria ter tido!”.