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7 de Fevereiro de 2018, 10:10h

Ações estimulam a participação feminina nas ciências

 

 

 

Carolina Araujo é da organização do Encontro Mundial de Mulheres em Matemática

 

* O texto abaixo fez parte do dossiê de candidatura do Brasil ao Grupo 5, a elite da Matemática mundial, da União Matemática Internacional 

 

A história das mulheres na pesquisa de matemática no Brasil teve seu início há cerca de 70 anos. A primeira mulher a obter um doutorado em matemática foi Marília Chaves Peixoto, em 1948, seguida de outras duas pioneiras no campo, Maria Laura Mouzinho Leite Lopes e Elza Furtado Gomide, que se graduaram em 1949.

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Marília Chaves Peixoto

Elza Furtado Gomide

Claudia Sagastizábal

Apesar desse início tardio, as estatísticas atuais do país sobre as mulheres em matemática são bastante razoáveis quando comparadas com as de muitos países da Europa ou da América do Norte. As mulheres constituem cerca de 42% dos estudantes de graduação em matemática e cerca de 48% daqueles que terminaram o diploma. Quando se trata de estudos de pós-graduação, cerca de 27% dos graus são obtidos por mulheres. Além disso, cerca de 40% dos professores das universidades federais e estaduais são do sexo feminino.   

O novo milênio trouxe um forte aumento no número de ações para equilibrar o gênero em números e funções. O CNPq, uma das principais agências federais de financiamento da pesquisa, iniciou em 2005 o programa Mulher e Ciência, cujo principal objetivo é promover a participação das mulheres nas ciências e estimular a produção científica e o debate sobre as relações e questões de gênero. Possui uma chamada bienal para projetos de pesquisa que se concentram na igualdade de gênero e um prêmio anual, Construindo Igualdade de Gênero, direcionado a estudantes em vários níveis.

Grupos de mulheres matemáticas, professoras e estudantes, estabelecidos em várias universidades, promovem debates sobre o tema, visando identificar as questões enfrentadas pelas mulheres no campo, bem como ajudar a encontrar soluções, apontando como melhorar a presença de mulheres em todos os níveis da carreira.

Maria Laura Leite Lopes

Tatiana Roque

Helena Lopes

Além de reuniões específicas, como o Encontro Paulista de Mulheres na Matemática, e mesas-redondas realizadas em todo o país em várias ocasiões, testemunhamos ações para trazer mulheres matemáticas como modelos, como a exposição “Elas: Expressões de matemáticas brasileiras”, apresentada em 2017 em universidades, espaços abertos públicos e na Bienal de Matemática.

Os anos 2017 e 2018 serão especiais quando se trata de mulheres em matemática no Brasil, com um ciclo nacional de debates e mesas-redondas, intitulado “Matemática: substantivo feminino”, planejado para ter lugar em várias universidades federais e estaduais. Isso foi parcialmente provocado e pode ser pensado como uma colaboração para o próximo World Meeting for Women in Mathematics (WM2), que deverá ter cerca de 600 participantes.

O Troféu IMPA Meninas Olímpicas foi criado na International Mathematical Olympiad de 2017 para destacar e encorajar a participação de mulheres, e tornar-se-á uma característica permanente do concurso. Em sua primeira edição, os prêmios foram para Garam Park (Botswana), Violeta Naydenova (Bulgária), Qi Qi (Canadá), Carolina Ortega (Colômbia) e Dain Kim (Coreia do Sul).

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