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2 de abril de 2018, 15:08h

Exposição inaugura Museu de Ciências no Espírito Santo

A Matemática está em tudo, inclusive nas pessoas. É o que prova a exposição “A Métrica do Corpo Humano”, que inaugura a sede permanente do Museu de Ciências da Vida (MCV) no campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em Vitória.

O acervo conta com 250 peças, incluindo réplicas de fósseis pré-históricos, para auxiliar na compreensão de aspectos da evolução, e partes reais do corpo humano. Como técnica de preservação dos exemplares, está em destaque a plastinação.

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“O procedimento consiste em substituir a água do corpo por um plástico, como silicone ou poliéster. O plástico age como um fantasma, penetrando dentro e fora da célula”, explica o professor Athelson Stefanon Bittencourt, coordenador do museu e curador da exposição, pioneira no uso da técnica no Brasil. A plastinação é mais eficiente do que a mumificação porque não precisa de manutenção, o material nunca mais se decompõe.

O objetivo da mostra, que estará em exibição até 31 de julho, é apresentar a relação entre o corpo humano, a vida, o cotidiano e os números e fórmulas, evidenciando que Biologia e Matemática têm mais em comum do que se imagina.

“Esta exposição nos mostra o quão fértil, em especial para os jovens estudantes, pode ser a inesperada interdisciplinaridade e transversalidade de uma exposição que funde a Matemática com a Biologia”, diz Bittencourt.

No MCV, o visitante pode participar de uma oficina sobre o corpo humano. A atividade permite a manipulação de peças anatômicas reais plastinadas e estimula o uso da Matemática para entender e calcular alguns parâmetros do funcionamento do corpo, como batimentos cardíacos, pressão arterial, volume de ar utilizado pelos pulmões e extensão da própria pele.

A Divina Proporção

Há quem diga que o homem é a chave para a decodificação do universo, a régua básica do mundo. Talvez seja mesmo. Para reforçar a ligação entre Matemática e o corpo humano, o modelo da divulgação da exposição é o “Homem Vitruviano”, célebre obra de Leonardo da Vinci.

Expoente do Renascimento italiano, Da Vinci nasceu em 1452 e viveu por 67 anos, consagrando-se como um dos polímatas mais conhecidos mundialmente. De origem grega, a palavra polímata significa “aquele que aprendeu muito” e faz referência à pessoa que tem aptidão para várias áreas do saber.

Reverenciado pelas intrigantes telas “A última ceia” e “Mona Lisa”, Da Vinci também se destacou como cientista, matemático e inventor, além de pintor e escultor. O tipo de simetria encontrado em seus trabalhos é relacionado à concepção da beleza. Chamada de razão áurea, essa proporção se repete no universo e é representada pela letra grega phi (Φ = 1,618034…).

Ao contrário do que possa parecer, as ideias de proporção e simetria aplicadas ao corpo humano não são difíceis de identificar. A altura do corpo humano e a medida do umbigo até o chão, por exemplo, têm como resultado 1,618. A medida do ombro à ponta do dedo e a medida do cotovelo à ponta do dedo, também.

Esse número mágico, conhecido como número de ouro, desperta a curiosidade de estudiosos desde a Antiguidade e também pode ser encontrado na arquitetura, pinturas, esculturas e, especialmente, na natureza.

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