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Viana destaca papel da matemática no desenvolvimento do país

Marcelo Viana

“A matemática é educação, é desenvolvimento e é também democracia e cidadania”, afirmou Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA, durante a mesa-redonda “Educação matemática de qualidade para um país soberano”, realizada no 1º Seminário Nacional do Compromisso Toda Matemática, sediado no Instituto. A declaração reforça o objetivo do encontro: mostrar que o ensino da  matemática não é apenas um tema escolar, mas um elemento estratégico para o futuro do país.

Viana apresentou ao público algumas das principais contribuições do IMPA para o país como o desenvolvimento do IMPA Tech, programa de graduação do Instituto, que visa formar profissionais altamente qualificados para o mercado de trabalho, a realização anual da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) e da OBMEP Mirim, destinada a alunos do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental, entre outras. A mais recente, anunciada na abertura do evento, é a criação de uma olimpíada voltada para professores da educação básica, que busca aprimorar o ensino da disciplina entre os docentes deste segmento. Confira aqui os detalhes.  

Ao destacar essas iniciativas, Viana ressaltou que o IMPA vem atuando em múltiplas frentes para fortalecer a matemática no país — desde a formação de alto nível, passando pela descoberta de talentos, até a valorização de professores. Ele lembrou que o IMPA Tech nasceu inspirado em um estudo conduzido pela Fundação Itaú, que analisou o peso das ocupações intensivas em matemática na economia brasileira. O diagnóstico mostrou que o Brasil tem apenas 4,8% do PIB vinculado a essas atividades, enquanto em países como a França esse percentual chega a 18%. Para o diretor-geral do IMPA, ampliar essa participação é essencial para aumentar a produtividade, reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento nacional. “Se quisermos dar um salto real como país, precisamos formar mais jovens capazes de atuar nos setores que dependem profundamente da matemática”.

A mesa-redonda contou com a participação de Patrícia Mota Guedes, da Fundação Itaú, que deu detalhes sobre o estudo “Contribuição da Matemática para a economia brasileira”, realizado pela instituição. Patrícia explicou que a pesquisa surgiu depois de ler um artigo do próprio Viana na Folha de S. Paulo, no qual ele relatava como a França monitorava ocupações matemáticas para orientar políticas públicas. A partir dessa provocação, a Fundação buscou a metodologia francesa, adaptou-a ao contexto brasileiro e produziu um levantamento inédito, com apoio do IMPA, que hoje serve de base para debates em educação, planejamento, economia, ciência e tecnologia. “Quando percebemos que não havia nenhum estudo semelhante no Brasil, entendemos que havia ali uma lacuna e uma oportunidade de contribuir para o debate público”, afirmou.

Os resultados, afirmou Patrícia, ajudaram a abrir um novo diálogo no país, mostrando que a matemática não é apenas um campo do conhecimento, mas um vetor de desenvolvimento econômico e social. Ela também celebrou o fato de o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) ter aprofundado a análise em 2025, confirmando que mesmo profissões tradicionalmente distantes da matemática vêm demandando cada vez mais competências na área — e que trabalhadores que dominam esses conhecimentos passam a ter rendimentos mais altos.

Encerrando a mesa, Patrícia destacou que iniciativas como o IMPA Tech, a OBMEP e a futura Olimpíada de Professores da OBMEP Mirim mostram como a sociedade brasileira pode avançar quando universidades, fundações, redes de ensino e governos atuam de forma articulada. Para ela, colocar a matemática no centro da agenda nacional é essencial para ampliar oportunidades e reduzir desigualdades. “Quando garantimos o direito de aprender matemática, ampliamos o futuro das pessoas — e, com isso, o futuro do país”, concluiu.

IMPA sedia 1º Seminário do Compromisso Nacional Toda Matemática

Realizado pelo Ministério da Educação (MEC), o 1º Seminário do Compromisso Nacional Toda Matemática foi palco do lançamento do Guia de Governança — documento direcionado aos dirigentes municipais, distritais e estaduais de educação que apresenta em detalhes o eixo de governança da política —, os cursos de qualificação e os materiais de formação para os anos iniciais do Ensino Fundamental relacionados ao compromisso. 

Mesa de abertura

A secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, ressaltou que, além de garantir o direito de pensar o mundo a partir das palavras, também é preciso abranger o pensamento lógico e enxergar a matemática presente em tudo. Para ela, é crucial que todos os estudantes brasileiros tenham assegurado o seu direito a uma aprendizagem adequada e matemática, com atenção especial voltada às crianças e à educação infantil. 

“Estamos conseguindo colocar no coração da educação básica brasileira a importância da aprendizagem matemática colada às estratégias de alfabetização; e usando essa força que é o regime de colaboração, o que pode ajudar os municípios brasileiros a entregarem o cumprimento do direito das nossas crianças. Estamos fazendo isso juntos. O Compromisso Toda Matemática é a virada de chave que nossas crianças, adolescentes, jovens, professores e professoras do nosso Brasil mereciam, vamos entregar isso para o nosso país. A educação e o ensino fundamental são a chave dessa revolução que temos de fazer”, afirmou a secretária.