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Reportagem do jornal O Globo aponta liderança científica da China

Não é apenas no espaço que Estados Unidos e China disputam a liderança global. Uma reportagem do jornal “O Globo”, publicada neste domingo (12), mostra que, embora a atenção internacional esteja voltada para a missão Artemis II — que marcou o retorno de voos tripulados ao redor da Lua —, é na Terra que os chineses vêm assumindo a liderança científica. 

A matéria “Enquanto mundo acompanha Artemis II, mostra que os chineses superaram os americanos em gastos totais — públicos e privados — em P&D. Dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que, em 2024, a China investiu US$ 1,03 trilhão, ligeiramente acima dos US$ 1,01 trilhão dos EUA, considerando valores ajustados por paridade de poder de compra.

Em entrevista ao jornal, o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, destaca que o avanço chinês não se resume a números, mas reflete uma estratégia clara de inserção global. “A China entende e valoriza a colaboração internacional como um motor da ciência, mas também como instrumento de geopolítica. Temos uma relação de paridade e somos muito bem recebidos. A China é muito receptiva ao Brasil”, disse.

O crescimento consistente dos investimentos — com aumento médio de cerca de 10% ao ano na última década — tem colocado o país na liderança em áreas estratégicas como inteligência artificial, biologia sintética, novos materiais e energia. 

Ainda de acordo com a reportagem, além do volume de recursos, os indicadores mostram avanços expressivos na produção científica. A China já supera os EUA no número de publicações indexadas e também lidera em áreas como ciências físicas, química e ciências da Terra. No grupo de 1% dos artigos mais citados do mundo, os chineses respondem por 27,2%, ultrapassando os 24,9% dos americanos — um salto significativo em qualidade ao longo das últimas décadas.

Para Viana, a combinação de investimento, escala e planejamento oferece pistas importantes sobre o futuro. “Se você quer ter uma visão do futuro, vá à China. Veja, por exemplo, a impressionante frota de carros elétricos, de trens de alta velocidade e a generalização do uso de robôs”, recomenda. 

O cenário descrito aponta para uma transformação profunda no equilíbrio global da ciência, em que investimento, cooperação internacional e capacidade de inovação se consolidam como ferramentas centrais de poder e desenvolvimento.