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Meninas Olímpicas do IMPA encerra 2025 celebrando expansão

Divulgação: MOI

Emoção, orgulho e esperança marcaram o encerramento das atividades do programa Meninas Olímpicas do IMPA (MOI) em 2025. Realizado na última sexta-feira (6), na Universidade Veiga de Almeida (UVA), campus Maracanã, no Rio de Janeiro, o evento celebrou o crescimento do projeto, as trajetórias de superação das estudantes e o compromisso renovado do IMPA com a presença feminina nas exatas. Ao todo, 180 alunas acompanharam a programação que contou com mesa-redonda, apresentação de trabalhos e oficinas promovidas pelo MOI e pela UVA.

Na abertura, a coordenadora do MOI, Letícia Rangel, destacou a expansão do programa e seu impacto transformador. “É uma alegria enorme estarmos com esse auditório cheio. Esse ano topamos o desafio de ampliar, crescer o MOI em 50%. Em 2024, éramos 12 escolas e passamos para 18 em 2025. Uma chegou agora no finalzinho do ano completando um projeto de ampliação para 2026 — quando outros municípios poderão aderir ao projeto. Somos hoje cerca de 180 pessoas integrando o MOI e uma certeza que nos une: a certeza de que é possível, é possível que ciência e  meninas avancem juntas, caminhem juntas”. 

No próximo ano, o MOI vai chegar a São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense. Criado em 2019, o programa é uma iniciativa do IMPA para incentivar a participação de alunas do ensino básico nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), aumentando o interesse e a confiança delas em carreiras científicas.

Letícia Rangel

Vitória dos Santos Silva, ex-menina olímpica e estudante de estatística da UFF (Universidade Federal Fluminense), é um dos exemplos da força transformadora do MOI. Na roda de conversa do evento, Vitória contou os desafios da trajetória acadêmica e reforçou a importância da persistência. “A mensagem que queria deixar para vocês é que não foi fácil. Mas se teve uma coisa que entendi é que sem os desafios a gente também não tem conquistas. Sei que a gente sempre vai ter dificuldades, desafios, mas é importante não parar diante deles.”

A mesa redonda contou com a participação de Caroline do Carmo, que aos 19 anos se tornou a física mais jovem do Brasil ao concluir a graduação. A conquista veio na mesma idade em que o renomado cientista César Lattes. Atualmente, ela faz o bacharelado em Ciências Matemáticas na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). No bate-papo, Caroline contou como superou barreiras financeiras, longas horas de deslocamento e a presença reduzida de mulheres no ambiente científico. Defensora de políticas públicas que ampliem o acesso à educação, ela destacou o impacto de estar diante de tantas meninas interessadas em ciência.

“Fico muito feliz de poder ter essa vista aqui no auditório porque na maioria dos lugares acadêmicos que visito não é comum ter tantas meninas, tantas mulheres juntas, principalmente tantas meninas que são do mesmo grupo, são de uma mesma organização. É muito gratificante ter esse momento hoje.”

Da esquerda à direita: Júlia Ramos, Vitória Silva, Caroline do Carmo, Viviane Japiassú e Emanuella Carneiro


Essa representatividade faz toda a diferença no dia a dia das integrantes do programa. “Entrei para o MOI porque enxerguei no projeto uma ótima oportunidade de integrar mais mulheres na matemática, algo essencial para a nossa sociedade”, destacou Marina Pinto, estudante do Colégio Pedro II.

A professora da UVA Viviane Japiassú, anfitriã do evento, encerrou a mesa celebrando o fortalecimento da rede de apoio entre meninas e mulheres na ciência. “Quero parabenizar a todos que estão aqui, professores, professoras e todos vocês. É uma felicidade nos encontrarmos e comemorar, comemorar essa conquista de cada uma de vocês. A conquista é ocupar esse espaço, aprender mais e buscar novos caminhos para explorar”

As Escolas Firjan Sesi são parceiras do MOI desde 2024. Jade Bernardo, aluna da Firjan Sesi Benfica, celebrou o contato mais próximo com a matemática proporcionado pelo programa. “Acho muito bonito como o MOI é um projeto que traz meninas da matemática, ciência, e inspira o grupo através das atividades, dos cursos que queremos seguir.”

A colega Yasmin Torres, também da unidade Benfica, contou que participar do MOI representou a realização de um sonho pessoal. “Estava procurando um grupo, uma equipe que gostasse de matemática e o MOI está sendo incrível porque estou tendo a chance de conhecer pessoas que atuam nesta área, que são inspiradoras. O MOI me incentiva e me apoia a seguir na matemática. É maravilhoso conhecer pessoas de outras unidades e ter contato com elas”.

Coordenadora do MOI desde o início, em 2019, Letícia acompanha o crescimento do programa e das participantes. “É perceptível, é gritante a diferença entre as meninas que estiveram lá no IMPA no início do ano e as meninas que estão aqui no encerramento hoje. Vocês estão mais confiantes, mais bonitas, mais fortes e poderosas”.