Superinteressante e O Povo levam o 9º Prêmio IMPA de Jornalismo
O IMPA divulgou nesta terça-feira (25) os ganhadores da 9ª edição do Prêmio IMPA de Jornalismo. Catalina Leite, de O Povo (CE), e Maria Clara Rossini, da Superinteressante, foram as primeiras colocadas nas categorias Matemática e Divulgação Científica. Cada uma vai receber um troféu e R$ 10 mil. A cerimônia de premiação será no sábado (29), às 17h30, no Festival Nacional da Matemática, no Rio de Janeiro.
Pela primeira vez, quatro mulheres foram premiadas na categoria Matemática: além de Catalina, Sthephany de Oliveira, do Jornal da USP, ficou em segundo lugar, Paloma Oliveto, do Correio Braziliense, em terceiro, e Carolina Nalin, do jornal O Globo, recebeu menção honrosa. Bruno Romani, de O Globo, também ficou com menção honrosa.
Na Divulgação Científica, Ed Wanderley e equipe, da Agência Pública, e Yuri Pinheiro de Vasconcelos e Frances Barreto Jones, da Revista Pesquisa Fapesp, conquistaram o segundo e o terceiro lugares, respectivamente. Outras três mulheres ganharam menções honrosas: Maria Eduarda Soares Toledo da Costa, do Metrópoles, Fernanda Zibordi Paulo, da Galileu, e Vanessa Monteiro da Silva, da Amazônia Vox.
Ao todo, nove mulheres inscritas como autoras foram premiadas na 9ª edição do Prêmio IMPA de Jornalismo. O resultado destaca a presença feminina no jornalismo científico e a ocupação de espaços de produção e divulgação do conhecimento.
"É uma alegria ver o jornalismo científico sendo feito por tantas mulheres talentosas. Pela primeira vez, elas são maioria entre os premiados, e a matemática só tem a ganhar quando as histórias são contadas por vozes diversas. Esta edição mostra que estamos no caminho certo," afirmou Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA e presidente da comissão julgadora.
Além do reconhecimento, os trabalhos vencedores recebem uma premiação em dinheiro, que soma R$ 36 mil nesta edição. Em cada categoria, o primeiro colocado receberá R$ 10 mil; o segundo, R$ 5 mil; e o terceiro, R$ 3 mil.
O Prêmio IMPA de Jornalismo foi criado em 2018 para aproximar a matemática e a ciência do público e valorizar o trabalho da imprensa. A 9ª edição recebeu 150 reportagens, de 18 estados e do DF, publicadas em jornais, revistas, televisão, rádio, podcasts e plataformas digitais.
Os ganhadores terão a oportunidade de compartilhar suas experiências com o público em uma mesa-redonda no sábado (29), no Festival Nacional da Matemática. O encontro será na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, e reunirá os jornalistas responsáveis pelos trabalhos premiados para uma conversa sobre os desafios de transformar matemática e ciência em histórias acessíveis e interessantes para diferentes públicos. A participação no Festival é gratuita. Retire seu ingresso aqui.
Confira os detalhes das reportagens premiadas
A grande vencedora da categoria matemática, “Além dos números: como a matemática constrói a gramática do Universo”, de Catalina Leite do jornal O Povo, explora a capacidade da matemática de apontar para a existência de fenômenos antes mesmo de eles serem formalmente teorizados. A reportagem apresenta exemplos como a previsão da existência da antimatéria e a possibilidade de determinar a localização de planetas, mostrando como equações e modelos matemáticos podem servir como pistas para grandes descobertas científicas. Leia aqui.
A reportagem “Existem infinitos na natureza? Quando a abstração matemática nos aproxima da realidade”, publicada no Jornal da USP, foi a segunda colocada. A jornalista Sthephany de Oliveira aborda conceitos como singularidades, infinitos e idealizações. A matéria mostra como a matemática permite transformar fenômenos complexos em problemas que podem ser estudados e compreendidos, ao mesmo tempo em que evidencia as possibilidades e os limites dos modelos matemáticos na tentativa de representar a natureza. Leia aqui.
Premiada com o terceiro lugar, a matéria “Matemática ‘escondida’ na arte”, de Paloma Oliveto, nasce de um estudo científico recente que propõe a existência de padrões matemáticos na arte abstrata. Publicado no Correio Braziliense, o texto aproxima matemática e produção artística ao investigar estruturas que podem estar presentes em obras que, à primeira vista, parecem não seguir regras ou padrões definidos. Leia aqui.
A categoria Matemática concedeu ainda duas menções honrosas a reportagens publicadas no jornal O Globo. A matéria “Um humano na rede dos ‘bots’: como me infiltrei no Moltbook e ‘causei’ fingindo ser uma IA brasileira”, de Bruno Romani, acompanha a experiência do jornalista ao se infiltrar no Moltbook, rede social frequentada por agentes de inteligência artificial, e explorar os limites entre humanos e máquinas nesse novo ambiente digital. Leia aqui. E a reportagem “O código contra-ataca: IA é a 1ª revolução digital a afetar os próprios profissionais de tecnologia”, de Carolina Nalin, investiga como o avanço da inteligência artificial começa a transformar o próprio mercado de tecnologia, atingindo profissionais que estiveram na linha de frente das revoluções digitais anteriores. Leia aqui.
Ciência em diferentes perspectivas
Na categoria Divulgação Científica, a primeira colocada foi a matéria “A vida através do espelho”, publicada na Superinteressante. A jornalista Maria Clara Rossini investiga o conceito de quiralidade, característica de objetos que não podem ser sobrepostos à sua imagem no espelho, e suas manifestações na física, na química e na biologia. A reportagem utiliza o conceito para discutir uma questão ainda mais ampla: o que a “assimetria” da natureza pode revelar sobre a origem da vida e sobre a possibilidade de existirem formas de vida invertidas em outras partes do Universo. Leia aqui.
Já a segunda colocada, “A Última Bolacha”, série documental em áudio produzida pela Agência Pública, acompanha a investigação do jornalista Ed Wanderley sobre as relações entre alimentação, obesidade, indústria, saúde pública e cultura no Brasil. A série foi produzida em coautoria com Sofia Amaral, Ricardo Terto, Stela Diogo, Claudia Jardim e Natalia Viana. A partir da própria experiência do jornalista, sobrevivente de um ataque cardíaco, a produção combina narrativa autobiográfica, investigação jornalística, pesquisa histórica e design de som para discutir como interesses econômicos e políticos interferem na percepção da ciência e influenciam os hábitos alimentares da população. Com foco especial em Pernambuco e no Nordeste, a série também investiga a relação histórica da região com o açúcar, os alimentos ultraprocessados e a desigualdade alimentar. Leia aqui.
Em terceiro lugar, a reportagem “A conquista das terras-raras”, de Yuri de Vasconcelos e Frances Barreto Jones, publicada na Pesquisa FAPESP, acompanha o esforço de pesquisadores, universidades, centros de pesquisa e empresas para dominar o ciclo completo de exploração e processamento desses elementos. Essenciais para diversas tecnologias e para a transição energética, as terras-raras têm importância estratégica crescente. O trabalho também destaca o potencial brasileiro, já que o país possui uma das maiores reservas conhecidas desses elementos no mundo. Leia aqui.
Na categoria Divulgação Científica, o prêmio concedeu três menções honrosas. Em “So(bre) a terra: doença fatal e pouco conhecida avança no Brasil”, do portal Metrópoles, a jornalista Maria Eduarda Soares Toledo da Costa e equipe abordam uma doença grave (paracoccidioidomicose) ainda pouco conhecida no país e chama a atenção para os desafios de ampliar o conhecimento e o diagnóstico da enfermidade. Leia aqui.
Fernanda Zibordi, da Galileu, recebeu menção honrosa pela reportagem “Como cientistas exploram cavernas raras do Cerrado com mais de 120 mil morcegos”, que acompanha o trabalho de pesquisadores em ambientes subterrâneos pouco acessíveis e investiga a importância científica das cavernas e de suas populações de morcegos. Leia aqui.
A terceira menção honrosa foi concedida a Vanessa da Silva, da Amazônia Vox, pela reportagem “Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia”. O trabalho mostra como o estudo de insetos pode auxiliar investigações criminais e contribuir para a produção de evidências utilizadas pela Justiça na região amazônica. Leia aqui.
Além de Viana, fizeram parte da comissão julgadora Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências; Sabine Righetti, jornalista, professora do Labjor-Unicamp e cofundadora da Agência Bori; e Carla Russo, jornalista e diretora da Corcovado Comunicação Estratégica. Os trabalhos premiados desta edição percorrem temas e formatos diferentes, mas têm em comum o esforço de tornar o conhecimento científico acessível sem reduzir a complexidade das questões abordadas.