Mestre pelo IMPA conta história do Pi, o 'número mais famoso’
Tem novidade no mercado editorial de divulgação científica: “Pi: uma autobiografia infinita” é o novo lançamento de Andrés Navas, divulgador científico chileno, mestre pelo IMPA e doutor pela École Normale Supérieure de Lyon, na França, e da matemática iraniana Mahsa Allahbakhshi. Publicada pela Tinta-da-China Brasil, a obra conta com ilustrações da designer mexicana Verena Rodríguez e foi traduzida por Maria Cecilia Brandi.
Com um tom aventureiro e curioso, os autores trazem a trajetória do Pi em primeira pessoa, onde o número irracional percorre a história da humanidade em busca de respostas sobre si mesmo e seus enigmas. “Sou conhecido no mundo inteiro, mas minha fama nem sempre é das melhores. Na verdade, muita gente se intimida comigo. Por isso decidi escrever minha biografia: para que me conheçam um pouco melhor e assim, quem sabe, acabem gostando um pouco mais de mim. O fato é que algumas coisas sobre mim nem eu mesmo sei, e talvez esta seja a oportunidade de você me ajudar a entendê-las".
O diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, autor de “Histórias da Matemática: Da contagem nos dedos à inteligência artificial” (2024) e de “A descoberta dos números: Uma aventura matemática” (2025), assinou a ‘orelha’ do livro. “É o próprio Pi que nos conta sua vida no ouvido. Dos tempos remotos, com grandes heróis como Arquimedes, aos dias de hoje, com a glória da consagração do Dia do Pi (14 de março) como Dia Internacional da Matemática, passando pelos muitos séculos de crescente autoconhecimento, tanto no Ocidente quanto nas grandes civilizações do Oriente”, afirma Viana na apresentação.
Irracional e infinito, o Pi atravessa milênios de descobertas e desafia gerações de matemáticos e cientistas em todo o mundo. Presente na geometria, na trigonometria, nas probabilidades e até nas artes, tornou-se um símbolo de mistério e encantamento, uma ponte entre fórmulas abstratas e a realidade concreta.
A obra se divide em três partes, dispostas em ordem cronológica, nas quais o protagonista encontra personagens que marcaram sua jornada: de Arquimedes a Ramanujan, passando pelo chinês Liu Hui, o primeiro a dar ao número a notação decimal utilizada até hoje: 3,14. Na primeira parte, o narrador-protagonista revisita a Antiguidade. Na sequência, Pi narra os avanços da era moderna, com novos estudos matemáticos. Por fim, a terceira seção traz o leitor para os dias atuais.
Um dos capítulos do livro é dedicado ao Congresso Internacional de Matemáticos (ICM) de 2018, organizado pelo IMPA no Rio de Janeiro, quando Pi e seus amigos desembarcam na Cidade Maravilhosa. O ICM é o mais importante encontro mundial de matemáticos e, na ocasião, marcou a estreia do evento na América Latina.
Conheça os autores
Mestre pelo IMPA e doutor pela École Normale Supérieure de Lyon, Andrés Navas estudou matemática na Universidade de Santiago do Chile (Usach), onde hoje é professor em tempo integral. Foi professor visitante em instituições como o Institut des Hautes Études Scientifiques, Caltech, Universidade de Cambridge e Universidade de Tóquio.
É autor de mais de sessenta artigos de pesquisa, que lhe renderam prêmios em 2013 pelo Conselho Matemático das Américas e em 2016 pela Unión Matemática de América Latina y el Caribe. Apaixonado pela divulgação científica e pela literatura, em 2017 lançou “Un viaje a las ideas”, o primeiro livro de divulgação matemática produzido no Chile para um público amplo. Segundo ele, “Pi: uma autobiografia infinita” foi em parte inspirado em “Aritmética da Emília”, de Monteiro Lobato.
Em 2022, Navas participou do FestMat (Festival Nacional da Matemática) com a palestra “Como fazer um quadrado mágico de números com datas de aniversário”. Na ocasião, explicou que há registros de quadrados mágicos em épocas muito antigas - há cerca de 3 mil anos - e mostrou fotos de esculturas com o objeto.
Professora da Faculdade de Matemática da Pontifícia Universidade Católica do Chile, Mahsa Allahbakhshi fez doutorado na Universidade de Victoria (Canadá), e fez seus estudos anteriores em Teerã (Irã). Além de se dedicar à divulgação, a autora se destaca pela atuação na pedagogia e na introdução de métodos inovadores de ensino.
As ilustrações vibrantes são da designer mexicana Verena Rodríguez. Formada em design e comunicação visual pela Universidade Nacional Autônoma do México, Verena tem mestrado em literatura infantil pela Universidade da Colúmbia Britânica, em Vancouver (Canadá). Suas ilustrações e quadrinhos foram publicados em livros didáticos e revistas.
Matemática e literatura
“Pi: uma autobiografia infinita” é o mais novo lançamento da Tinta-da-China voltado para a disseminação da matemática. A editora também é responsável pelas publicações de “Histórias da Matemática: Da contagem nos dedos à inteligência artificial” e de “A descoberta dos números: Uma aventura matemática”, ambos de Marcelo Viana.
“Histórias da Matemática” foi um sucesso e se tornou o livro mais vendido pela editora na Bienal do Livro do Rio de Janeiro em 2025. Além disso, no mesmo ano, uma das crônicas da obra se tornou texto-base de questões do 2º Exame de Qualificação da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).